O choque e a devastação permanecem no Nepal e na China um dia depois das inundações repentinas que atingiram várias comunidades na região do Himalaia. Centenas de pessoas continuam desaparecidas, enquanto equipas de emergência enfrentam enormes dificuldades para chegar às zonas afetadas, onde estradas, pontes, redes de telecomunicações e sistemas de abastecimento de água ficaram gravemente danificados.
No Nepal, os distritos de Rasuwa, Nuwakot e Dhading estão entre os mais atingidos. Pelo menos 17 mil crianças foram afetadas pelas cheias, segundo a UNICEF, que alertou para os riscos acrescidos de doenças, desnutrição, violência e exploração entre as crianças que sobreviveram. Em várias localidades, casas, escolas e instalações de saúde foram destruídas ou danificadas, deixando comunidades inteiras isoladas e milhares de pessoas deslocadas.
Perante a dimensão do desastre, a ONU anunciou a libertação de 2 milhões de dólares do Fundo Central de Resposta a Emergências (CERF) para financiar cuidados médicos de emergência, abrigo e acesso a água. O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, garantiu que a organização está a mobilizar equipas e materiais de emergência para apoiar a resposta liderada pelas autoridades nepalesas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) enviou medicamentos e outros materiais médicos suficientes para assegurar cuidados básicos de saúde a cerca de 10 mil pessoas, além de seis tendas para apoiar a continuidade dos serviços de saúde nas comunidades afetadas. O Programa Alimentar Mundial e a UNICEF preparavam também o envio de equipas e camiões com ajuda humanitária, enquanto as Nações Unidas recorrem a imagens de satélite para avaliar a extensão da destruição e identificar áreas que continuam inacessíveis.
Na China, cerca de 560 pessoas permaneciam desaparecidas, segundo as autoridades, depois de as inundações terem provocado vítimas e elevados danos na região autónoma do Tibete. As autoridades e organizações humanitárias continuam a tentar determinar a dimensão total da tragédia. Uma das possíveis causas apontadas para as cheias repentinas no Nepal é o colapso de uma geleira nos vales montanhosos do Himalaia, que poderá ter desencadeado uma poderosa onda de água e lama. O desastre volta a evidenciar a crescente vulnerabilidade das comunidades de montanha perante fenómenos extremos e os riscos associados às alterações climáticas.
