As inundações repentinas e os deslizamentos de terra que atingiram o Nepal provocaram mais de mil mortos e cerca de 4.247 desaparecidos, segundo dados divulgados pelas Nações Unidas a 1 de setembro.
Os esforços de busca e salvamento continuam, mas o acesso a várias das zonas mais afetadas permanece difícil. No distrito de Rasuwa, no centro-norte do país, as equipas humanitárias só começaram a conseguir chegar às comunidades isoladas quase uma semana depois do início da catástrofe, enquanto a continuação das monções mantém o risco de novas inundações e deslizamentos.
A dimensão da emergência está a preocupar particularmente as organizações humanitárias devido ao impacto sobre mulheres e meninas. Segundo a ONU Mulheres, cerca de 43 mil mulheres e meninas necessitam de assistência humanitária imediata. Muitas sobreviventes enfrentam falta de alimentos e de água potável, depois de as cheias terem destruído sistemas de abastecimento, estradas e pontes.
As Nações Unidas alertam ainda para o aumento dos riscos de violência baseada no género, exploração e tráfico de pessoas, defendendo que as mulheres devem ser incluídas nas decisões relativas à resposta humanitária e à recuperação do país.
O desastre também agravou desigualdades já existentes, afetando especialmente mulheres grávidas, mães que amamentam, pessoas com deficiência e famílias que viviam em condições precárias. Em Rasuwa, muitas mulheres já percorriam diariamente longas distâncias para obter água e encontram agora os sistemas de abastecimento destruídos.
As organizações humanitárias consideram o acesso a alimentos e água potável uma das prioridades mais urgentes, ao mesmo tempo que procuram garantir condições de proteção e assistência às populações deslocadas.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou, por seu lado, para os riscos de uma crise de saúde pública. Pelo menos seis unidades de saúde foram danificadas ou destruídas e outras duas permanecem inacessíveis, dificultando o atendimento às populações afetadas. A acumulação de água, os deslocamentos e a sobrelotação podem favorecer o aparecimento de doenças, levando a OMS a reforçar a vigilância para possíveis surtos de dengue, tifo murino e outras doenças transmissíveis, enquanto são distribuídos medicamentos, kits de diagnóstico e outros materiais essenciais.
