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Calor extremo está a atrasar o desenvolvimento na primeira infância, alerta novo estudo

Um estudo liderado por investigadores da Universidade de Nova York revelou que o aumento das temperaturas está a atrasar significativamente o desenvolvimento na primeira infância, especialmente em áreas de alfabetização e numeracia.

Segundo a in, crianças expostas a temperaturas médias máximas superiores a 30 °C apresentam menor probabilidade de atingir marcos fundamentais de aprendizagem quando comparadas a crianças que vivem em ambientes mais frescos.

A análise, publicada no Journal of Child Psychology and Psychiatry, examinou dados de mais de 19 mil crianças entre 3 e 4 anos provenientes de seis países, cruzando informações sobre desenvolvimento infantil, condições domésticas e clima. Os resultados mostraram que as crianças em contextos de maior vulnerabilidade — como famílias com poucos recursos, acesso limitado a água potável ou residentes em zonas urbanas densas — são as mais afetadas pelo calor extremo, reforçando desigualdades já existentes.

Os investigadores defendem que o impacto do calor excessivo sobre o desenvolvimento cognitivo e socioemocional infantil deve ser tratado como uma questão urgente em políticas públicas, especialmente num contexto de alterações climáticas aceleradas. Para os autores, compreender os mecanismos que tornam certas crianças mais vulneráveis é essencial para orientar estratégias de adaptação e proteção.

O estudo alerta ainda que o desenvolvimento na primeira infância é determinante para o futuro desempenho escolar, saúde mental e bem-estar geral. Assim, os efeitos silenciosos do calor extremo sobre o desenvolvimento infantil podem ter consequências profundas e duradouras, ampliando riscos em populações já expostas a múltiplos desafios ambientais e socioeconómicos.

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