As alterações climáticas estão a pressionar a produção agrícola em várias regiões do mundo, enquanto guerras e tensões comerciais dificultam o abastecimento de alimentos e aumentam os custos de fertilizantes e energia.
Investigadores alertam que a insegurança alimentar pode agravar migrações, instabilidade social e conflitos, sobretudo em países com instituições frágeis. Um estudo do Índice de Declínio Agrícola Impulsionado pelo Clima aponta para perdas particularmente graves nas regiões tropicais e estima que quase metade da população mundial poderá viver, dentro de 25 anos, em zonas com menor produtividade agrícola.
A competição por terra e água também poderá aumentar. Em algumas regiões, as alterações do clima podem tornar determinadas terras mais produtivas e valiosas, atraindo investidores e criando disputas entre comunidades e grandes produtores.
O Sul da Ásia e o Sahel estão entre as áreas consideradas mais vulneráveis, devido à combinação de crescimento populacional, dependência de recursos naturais e exposição a fenómenos extremos. No Sul da Ásia, as alterações no regime de água e a subida do nível do mar representam riscos para cerca de dois mil milhões de pessoas.
Os especialistas sublinham, contudo, que o clima não conduz inevitavelmente à guerra. Democracias e instituições capazes de mediar disputas e facilitar negociações podem ajudar as sociedades a adaptar-se às mudanças e evitar que a pressão sobre alimentos, água e terras se transforme em violência.
