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Dívida e falta de financiamento agravam desigualdade global, alerta relatório da ONU

Um novo relatório das Nações Unidas revela que o aumento da dívida e a redução do financiamento internacional estão a agravar as desigualdades entre países ricos e pobres, travando o progresso no desenvolvimento sustentável. O documento, apresentado em Nova Iorque, aponta para uma inversão preocupante de décadas de avanços na luta contra a pobreza.

O Relatório sobre Financiamento para o Desenvolvimento Sustentável de 2026 destaca uma “combinação explosiva” de dívida externa elevada, queda da ajuda internacional e crescente fragmentação geopolítica e comercial. Segundo o subsecretário-geral Li Junhua, muitos países estão a desviar recursos essenciais para o pagamento de juros, em detrimento de áreas fundamentais como saúde e educação.

De acordo com os dados, cerca de 3,4 mil milhões de pessoas vivem em países que gastam mais no serviço da dívida do que em serviços públicos básicos. Em 2024, esse encargo atingiu o nível mais alto em duas décadas, ao mesmo tempo que a ajuda oficial ao desenvolvimento caiu 6%, tendência que deverá agravar-se nos próximos anos.

O relatório alerta ainda para o impacto das tensões comerciais globais, com o aumento significativo das tarifas sobre exportações de países em desenvolvimento. Este cenário reflete o enfraquecimento do multilateralismo e o crescimento do protecionismo, dificultando a implementação de acordos internacionais e o acesso a financiamento mais justo.

Apesar do quadro negativo, há alguns sinais positivos: o investimento em energias renováveis atingiu níveis recorde e o comércio entre países do Sul global quadruplicou nas últimas duas décadas. Ainda assim, a ONU sublinha que o défice anual de financiamento para cumprir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável permanece elevado, apelando à implementação urgente dos compromissos assumidos na Cimeira de Sevilha de 2025.

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