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Estados frágeis podem crescer ao reforçar instituições e políticas económicas

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Um novo estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) conclui que o reforço das instituições públicas e a adopção de políticas económicas sólidas são fundamentais para que os chamados “Estados frágeis” consigam alcançar estabilidade e crescimento sustentável.

Segundo a análise, cerca de mil milhões de pessoas vivem em 38 países afectados por fragilidade e conflitos, enfrentando níveis mais baixos de crescimento económico e maior exposição a choques externos, como crises alimentares ou instabilidade financeira. Estas fragilidades têm também impacto além-fronteiras, nomeadamente através da migração, insegurança regional e perturbações no comércio.

O relatório revela que, nas últimas duas décadas, os países mais frágeis registaram um crescimento médio de 3,5%, abaixo dos 4,6% observados em economias mais estáveis. Esta diferença está associada a baixa produtividade, fraco investimento e sistemas financeiros pouco desenvolvidos.

Além disso, muitos destes países enfrentam sérias limitações orçamentais. Em média, as receitas fiscais representam apenas 10% do Produto Interno Bruto, um nível considerado insuficiente para sustentar políticas públicas eficazes e promover o desenvolvimento.

A situação é agravada por níveis elevados de dívida: cerca de três quartos dos Estados frágeis mais pobres encontram-se em risco elevado de sobre-endividamento ou já em situação de incumprimento. A escassez de reservas financeiras reduz ainda mais a capacidade de resposta a crises económicas.

O FMI defende que a solução passa por reforçar as funções essenciais do Estado, nomeadamente: estabilizar a economia, garantir serviços públicos e promover mercados eficientes.

Medidas como a melhoria da administração fiscal podem aumentar as receitas, permitindo investir em serviços públicos e reforçar a confiança dos cidadãos nas instituições — criando um ciclo positivo de desenvolvimento.

O estudo sublinha também o papel da comunidade internacional, que deve apoiar estes países com financiamento, assistência técnica e aconselhamento político adaptado. Intervenções precoces podem evitar que situações de fragilidade evoluam para crises mais profundas ou conflitos.

Em conclusão, o FMI destaca que instituições fortes, boa governação e políticas económicas consistentes são determinantes para quebrar o ciclo de fragilidade e garantir melhores condições de vida para as populações.

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