Um novo estudo internacional concluiu que a humanidade poderá já estar a viver para além da capacidade sustentável do planeta, aumentando os riscos para a segurança alimentar, a estabilidade climática e o bem-estar humano nas próximas décadas. A investigação, publicada na revista científica Environmental Research Letters, analisou mais de dois séculos de dados populacionais e ambientais e concluiu que os actuais níveis de consumo e crescimento demográfico estão a exercer uma pressão sem precedentes sobre os ecossistemas.
Liderado por Corey Bradshaw, da Universidade Flinders, o estudo sugere que o modelo histórico em que o aumento da população impulsionava inovação e crescimento económico começou a inverter-se a partir da segunda metade do século XX. Segundo os autores, embora a população mundial continue a aumentar, os benefícios desse crescimento estão cada vez mais limitados pelos recursos finitos do planeta.
Os investigadores analisaram relações entre população, emissões de carbono, alterações climáticas e pegada ecológica, concluindo que a utilização intensiva de combustíveis fósseis permitiu sustentar temporariamente o aumento da produção alimentar, industrial e energética. No entanto, argumentam que esse modelo também acelerou a degradação ambiental, o aquecimento global e a perda de biodiversidade.
De acordo com os cálculos apresentados, a população mundial poderá atingir um pico entre 11,7 e 12,4 mil milhões de pessoas entre o final da década de 2060 e a década de 2070, caso as tendências actuais se mantenham. Ainda assim, os autores defendem que uma população verdadeiramente sustentável seria substancialmente inferior — estimando um valor próximo de 2,5 mil milhões de habitantes, assumindo padrões de vida considerados confortáveis e dentro dos limites ecológicos.
Os autores sublinham que o estudo não prevê um colapso iminente da civilização, mas alerta para pressões crescentes sobre os sistemas naturais que sustentam a vida. Entre os principais riscos identificados estão o agravamento dos impactos climáticos, a redução da disponibilidade de água e alimentos, o aumento das desigualdades e a perda de resiliência ecológica. A investigação conclui que decisões tomadas nas próximas décadas sobre energia, uso do solo e padrões de consumo serão determinantes para o futuro das próximas gerações.
