e-Global

Estudo associa menos de 42 minutos de luz intensa por dia a maior risco de demência

A exposição reduzida à luz intensa durante o dia está associada a um maior risco de desenvolver demência, segundo um estudo publicado na revista científica General Psychiatry e divulgado a 29 de Outubro de 2026. A investigação, realizada com mais de 87 mil adultos, concluiu que uma maior exposição à luz diurna estava relacionada com uma menor probabilidade de desenvolver a doença, embora não demonstre que a luz solar previna directamente a demência.

Os investigadores analisaram dados de 87.577 adultos que utilizaram dispositivos de pulso equipados com sensores para medir a exposição à luz durante o dia e a noite. Ao longo de um período médio de acompanhamento de 8,1 anos, 741 participantes desenvolveram demência. Os resultados indicaram que as pessoas expostas a níveis médios de luz diurna superiores a 1.000 lux apresentaram um risco 16% inferior de desenvolver a doença, em comparação com os participantes com menor exposição.

A investigação identificou também uma associação entre períodos mais prolongados sob luz intensa, de pelo menos 5.000 lux, e reduções adicionais do risco. Em contrapartida, receber menos de 0,7 horas, ou seja, 42 minutos de luz intensa por dia, surgiu como um indicador de risco particularmente relevante. Segundo os autores, este nível reduzido de exposição foi um factor preditivo mais forte do que seis factores de risco já estabelecidos para a demência, embora o estudo não permita concluir que a falta de luz seja, por si só, responsável pelo aparecimento da doença.

Os investigadores não encontraram uma associação estatisticamente significativa entre a exposição à luz durante a noite e o risco de demência. Este resultado sugere que a luminosidade diurna poderá ter uma relação específica com a saúde cerebral, embora sejam necessários estudos adicionais para compreender os mecanismos envolvidos. Hongliang Feng, da Universidade Médica de Guangzhou, na China, e autor correspondente da investigação, considera que a exposição à luz durante o dia poderá vir a ser utilizada como um indicador adicional na avaliação do risco de demência.

Apesar dos resultados, os autores sublinham que a investigação demonstra uma associação, não uma relação directa de causa e efeito. A exposição à luz poderá estar relacionada com outros factores do estilo de vida que também influenciam a saúde cerebral. Os dados reforçam o interesse científico na relação entre a luminosidade diurna e a demência, mas serão necessárias novas investigações para determinar se aumentar a exposição à luz intensa pode efectivamente contribuir para reduzir o risco da doença.

Exit mobile version