O indicador salarial do Banco Central Europeu (BCE) aponta para um crescimento dos salários negociados ligeiramente superior nos primeiros três trimestres de 2027, em comparação com a média de 2026. Segundo os dados actualizados a 4 de Novembro, a evolução deverá reflectir um aumento dos salários de 2,8% nos primeiros seis meses de 2027, antes de abrandar para 2,4% no terceiro trimestre.
O rastreador salarial do BCE, actualizado com os acordos colectivos assinados até meados de Outubro de 2026, estima um crescimento de 2,7% no segundo semestre deste ano e de 2,8% no primeiro semestre de 2027. A taxa prevista para o terceiro trimestre do próximo ano é de 2,4%, embora o banco central ressalve que este indicador ainda abrange uma proporção limitada de trabalhadores.
Excluindo os pagamentos extraordinários, como prémios, compensações pela inflação e retroactivos, o crescimento salarial deverá atingir uma média de 2,8% nos primeiros três trimestres de 2027, acima dos 2,6% registados em 2026. Este indicador permite avaliar a evolução dos aumentos salariais permanentes acordados através da negociação colectiva, sem a influência de pagamentos pontuais.
O BCE indica, contudo, que a cobertura dos acordos salariais diminui à medida que o horizonte de análise avança: abrange 46,2% dos trabalhadores em 2026, 31,8% no primeiro semestre de 2027 e apenas 23,3% no terceiro trimestre. Estes valores deverão aumentar à medida que forem assinados novos acordos colectivos, estando prevista uma nova actualização do horizonte de acompanhamento até ao final de 2027 na divulgação de Dezembro.
A instituição alerta que os indicadores prospectivos não devem ser interpretados como previsões definitivas, uma vez que reflectem apenas a informação disponível sobre os acordos colectivos em vigor e podem sofrer revisões. Para uma avaliação mais abrangente, o BCE recomenda a consulta das suas projecções macroeconómicas, que estimam um crescimento anual da remuneração por trabalhador de 3,3% em 2026 na zona euro.
