Mais de 1.100 medicamentos registaram problemas de abastecimento em Espanha no segundo semestre de 2024, refletindo a forte dependência da produção asiática, especialmente da China e da Índia, na cadeia farmacêutica europeia. Segundo a Agência Espanhola do Medicamento (AEMPS), cerca de 7% dos casos envolveram fármacos sem alternativas terapêuticas, representando risco direto para os pacientes.
Especialistas alertam que 60% a 80% dos princípios ativos usados pela indústria europeia provêm da Ásia. Assim, qualquer interrupção — seja por restrições ambientais na China ou crises logísticas globais — pode provocar escassez imediata em Espanha e em toda a União Europeia.
A pandemia de covid-19 expôs essa vulnerabilidade, quando o fecho temporário de fábricas asiáticas causou ruturas em larga escala.
De acordo com Emili Esteve, da Farmaindustria, o problema atinge sobretudo os medicamentos genéricos, cuja produção foi deslocalizada para a Ásia devido aos baixos preços praticados na Europa. “Agora percebemos que depender tanto do exterior talvez não tenha sido um bom negócio”, afirmou.
A UE procura reduzir essa dependência com iniciativas como o European Critical Medicines Act, que incentiva o fabrico local de medicamentos essenciais.
Em Espanha, o Plano de Garantia de Abastecimento de Medicamentos 2025-2030 visa reforçar a produção nacional e melhorar a resposta a falhas no fornecimento. Contudo, os custos laborais e ambientais mais altos continuam a dificultar a competitividade das fábricas europeias — um desafio central para a autonomia farmacêutica do continente.
