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Espanha: Indústria do polvo enfrenta crise devido a sobrepesca, alterações climáticas e procura internacional

A tradicional indústria do polvo em Espanha encontra-se em colapso, pressionada pelo esgotamento das populações locais, mudanças climáticas e o aumento da procura mundial. Em fábricas como a Frigoríficos Arcos SL, em Carballiño, trabalhadores processam polvos importados da Mauritânia e de Marrocos, dado que as capturas locais não abastecem a produção há mais de uma década.

O impacto das alterações climáticas agrava a situação.
O fenómeno da ressurgência — correntes de águas profundas que trazem nutrientes essenciais para os polvos — tornou-se menos previsível, afetando a reprodução e sobrevivência das espécies.
Além disso, a intensa pressão da pesca internacional contribui para a redução dos números.

Algumas empresas estão a explorar a criação de polvos em cativeiro para garantir fornecimento a longo prazo. O Grupo Profand mantém um viveiro de investigação na Galiza, enquanto a Nueva Pescanova planeia uma produção industrial com até um milhão de polvos por ano.

No entanto, estes projetos enfrentam forte oposição de grupos de defesa animal, que consideram a prática cruel, dado o comportamento solitário e a inteligência elevada dos polvos. Inúmeros especialistas alertam que o confinamento em tanques, a alimentação à base de peixes selvagens e o método de abate podem causar sofrimento intenso.
Nos Estados Unidos, a Califórnia e outros estados já proibiram a criação de polvos em viveiro, preocupados com bem-estar animal e sustentabilidade.

Javier Ojeda, da associação APROMAR, afirma que a criação de polvos é inevitável, mas deve ser conduzida com boas práticas científicas e respeito pelo bem-estar animal.

A indústria espanhola enfrenta, assim, um dilema complexo: conciliar o lucro e a procura internacional com a preservação de um recurso natural ameaçado, num contexto de crescente consciencialização sobre sustentabilidade e ética na produção alimentar.

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