A União Europeia está a avaliar a criação de uma “muralha de drones” como resposta às incursões aéreas russas que têm afetado países como a Polónia, Roménia, Estónia ou Dinamarca. A proposta, apresentada pelo comissário europeu para a Defesa, Andrius Kubilius, prevê um sistema em rede que combine radares, sensores, artilharia antiaérea e drones de interceção, com partilha de dados em tempo real entre os Estados-membros.
Um dos pilares será a participação da Ucrânia, que oferece a sua experiência adquirida em anos de guerra e já firmou parcerias industriais com países como o Reino Unido e a Dinamarca. Kiev disponibilizou-se ainda para formar forças da NATO e colaborar no desenvolvimento de novos sistemas.
O projeto surge em paralelo com a proposta de um empréstimo de 140 mil milhões de euros à Ucrânia, financiado com os lucros de ativos russos congelados na UE. Embora a Hungria se mostre reticente, Bruxelas procura formas legais de avançar mesmo sem unanimidade.
Apesar do entusiasmo de vários países do Leste, a Alemanha adota uma postura mais cautelosa: o ministro da Defesa, Boris Pistorius, considera pouco realista esperar que o sistema esteja pronto em apenas três ou quatro anos, defendendo soluções mais flexíveis e sustentáveis.
Entretanto, o anunciou o “Project Octopus”, que prevê a produção conjunta com a Ucrânia de drones intercetores de baixo custo, capazes de reforçar rapidamente a defesa aérea europeia.
A iniciativa marca uma mudança estratégica: a Europa começa a ver Kiev não apenas como recetor de ajuda, mas como parceiro ativo na segurança do continente.
