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Europol desmantela rede de fraude de investimentos com vítimas em mais de 50 países

Uma operação internacional coordenada pelas autoridades de vários países, com o apoio da Europol e da Eurojust, atingiu a infraestrutura de uma alegada rede de fraude de investimentos com potenciais vítimas em mais de 50 países. A acção, realizada a 3 de Novembro, resultou na apreensão de mais de 100 servidores informáticos, em buscas em 17 locais e na detenção de sete suspeitos, com vista à extradição para a Alemanha. Os investigadores estimam que os prejuízos ultrapassem os quatro milhões de euros.

A investigação, liderada pela Procuradoria Pública de Itzehoe, na Alemanha, teve como alvo uma empresa suspeita de fornecer plataformas de negociação fraudulentas a grupos criminosos. Segundo as autoridades, a estrutura disponibilizava tecnologia e serviços utilizados por centros de atendimento telefónico que contactavam potenciais vítimas e as pressionavam a investir as suas poupanças em operações fictícias com criptomoedas, divisas e acções.

O esquema recorria a anúncios enganosos na Internet para atrair interessados em oportunidades de investimento com promessas de lucros elevados e rápidos. Os dados pessoais recolhidos eram alegadamente vendidos a grupos criminosos, cujos operadores contactavam as vítimas e as convenciam a transferir inicialmente pequenas quantias. As plataformas exibiam depois ganhos fictícios para criar uma falsa sensação de credibilidade e incentivar investimentos cada vez maiores. Quando os clientes tentavam recuperar o dinheiro, os pagamentos eram bloqueados ou adiados até os contactos cessarem.

O caso começou em 2022, depois de um casal alemão ter denunciado a impossibilidade de levantar fundos investidos através de uma plataforma de negociação em linha. Operações realizadas em 2022 e 2025 permitiram recolher provas, efectuar detenções e identificar ligações entre o alegado fornecedor tecnológico e centros de atendimento na Albânia, no Kosovo e na Macedónia do Norte. A análise do material apreendido terá também revelado indícios de que a infraestrutura operava a partir de Chipre e Israel, num modelo conhecido como «crime como serviço», em que ferramentas e serviços são disponibilizados a outros grupos criminosos.

A operação envolveu autoridades da Albânia, de Chipre, da Finlândia, da Alemanha, de Israel, do Kosovo e da Macedónia do Norte. A Europol apoiou a análise de dados, o cruzamento de informações e as perícias digitais no terreno, enquanto a Eurojust facilitou a execução de mandados de detenção, ordens de investigação e medidas de congelamento de bens. A investigação prossegue para esclarecer a dimensão da rede e identificar outras pessoas envolvidas, bem como eventuais vítimas que ainda não tenham denunciado as perdas.

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