O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em baixa as previsões de crescimento económico da Zona Euro, apontando agora para uma expansão de apenas 0,9% em 2026 e 1,2% em 2027. A instituição justifica a revisão com o agravamento das consequências económicas da guerra no Médio Oriente, que provocou uma subida dos preços da energia, alimentou a inflação e prejudicou a confiança dos consumidores.
Durante a apresentação da avaliação anual da economia da Zona Euro, a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou que as perturbações económicas se revelaram mais persistentes do que o previsto. O FMI estima agora uma inflação de 2,8% em 2026 e de 2,3% em 2027, alertando que um prolongamento do esforço geopolítico poderá agravar ainda mais o cenário económico europeu.
A responsável sublinhou que a principal prioridade passa por manter as expectativas de inflação sob controlo, ao mesmo tempo que se protege as famílias e empresas mais vulneráveis. Segundo o FMI, o Banco Central Europeu deve continuar a adotar uma política monetária prudente, enquanto os governos devem privilegiar apoios temporários e direcionados, sem comprometer a sustentabilidade das finanças públicas.
O Fundo alertou ainda para a necessidade de reforçar a segurança energética da Europa, acelerar a transição para as energias renováveis e aprofundar o mercado único europeu. Para o FMI, o aumento da produtividade, o investimento na inovação e o fortalecimento dos mercados de capitais serão determinantes para aumentar a resiliência económica da região perante futuros choques.
Apesar das dificuldades, Kristalina Georgieva ainda que a Zona Euro tenha demonstrado uma capacidade significativa de resistência perante os múltiplos desafios dos últimos anos. Ainda assim, alerta-se que a elevada incerteza em torno dos preços da energia, da inflação e das condições financeiras exige cautela por parte das decisões políticas, para evitar riscos adicionais ao crescimento económico europeu.
