O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, declarou na última sexta-feira que “Moscovo quer a paz”, enquanto acusa a Europa de “prolongar a guerra na Ucrânia”. As declarações foram feitas na sua habitual entrevista à Rádio Kossuth, onde o líder do Fidesz alertou para o perigo de o continente “se precipitar para um conflito generalizado”, comparando a situação atual à que antecedeu a Primeira Guerra Mundial.
Orbán afirmou que “quem apoia a Ucrânia está a apoiar a guerra”, argumentando que “a ajuda financeira e militar enviada por Bruxelas representa também um aumento de impostos e o desvio de fundos nacionais”.
Segundo o primeiro-ministro, apenas os Estados Unidos “demonstram vontade genuína de alcançar a paz”, enquanto “alguns países europeus estão dispostos a enviar outros para morrerem, sem irem eles próprios para o campo de batalha”.
O governante defendeu que existe “um desacordo fundamental” entre Washington e a União Europeia sobre como terminar o conflito, mas que “ninguém o admite publicamente para evitar uma rutura transatlântica”. Orbán acrescentou que, ao contrário de há um ano, “a Rússia mostra agora disposição para negociar, ainda que sob certas condições”.
As declarações surgem após o cancelamento da cimeira entre Donald Trump e Vladimir Putin, que deveria ter ocorrido em Budapeste. O encontro foi anulado depois de o Kremlin apresentar “reivindicações territoriais excessivas” em troca de um acordo de paz. Segundo o Financial Times, Washington considerou que Moscovo não mostrou vontade de negociar e reagiu impondo novas sanções às principais empresas petrolíferas russas.
