A inteligência artificial (IA) está a permitir aos cientistas analisar milhões de imagens e dados recolhidos por sensores subaquáticos, acelerando a identificação de alterações nos oceanos, rios e lagos europeus. A tecnologia está a ser utilizada para estudar desde o plâncton até à poluição e à evolução da biodiversidade, criando novas possibilidades para acompanhar a saúde dos ecossistemas aquáticos.
Um dos exemplos é o trabalho do investigador Jean-Olivier Irisson, da Universidade Sorbonne, em Paris, que utiliza IA para identificar e classificar organismos microscópicos. Um único conjunto de dados pode conter cerca de 2,2 milhões de imagens individuais de organismos, tornando impraticável a análise manual. Segundo o investigador, tarefas que anteriormente poderiam demorar meses ou anos podem agora ser realizadas em dias ou semanas.
A utilização de IA foi também desenvolvida pelo projecto europeu iMagine, financiado pela União Europeia e que reuniu cientistas e especialistas digitais de 11 países europeus entre 2022 e 2025. As ferramentas desenvolvidas permitem analisar grandes volumes de dados recolhidos por câmaras e sensores, ajudando, por exemplo, a detectar lixo flutuante em rios e lagos da Áustria, identificar espécies de peixes e acompanhar alterações nos ecossistemas e os efeitos das alterações climáticas.
Segundo Gergely Sipos, coordenador do projecto, uma monitorização mais rápida e económica pode permitir detectar mais cedo problemas como o declínio do plâncton, a acumulação de resíduos, derrames de petróleo e degradação dos recifes de coral. A análise automatizada de anos de imagens e milhões de registos também pode ajudar a avaliar medidas de recuperação ambiental, incluindo o impacto da criação de recifes artificiais na biodiversidade.
Embora o projecto iMagine tenha terminado em 2025, os seus conjuntos de dados e ferramentas continuam disponíveis para investigadores. A iniciativa surge num contexto de crescente aposta europeia na digitalização da monitorização ambiental, incluindo a missão da UE para restaurar os oceanos e as águas até 2030 e o desenvolvimento do Digital Twin of the Ocean, uma representação digital dos ecossistemas marinhos. A nova iniciativa OceanEye, lançada em junho de 2026, pretende igualmente combinar dados de satélites, sensores subaquáticos e investigação científica para criar uma visão mais completa e em tempo real dos mares, rios e lagos europeus.
