Este verão, as tradicionais férias de praia em Itália estão a perder popularidade, com uma queda de até 25% no número de visitantes em junho e julho em algumas zonas costeiras.
Inúmeras famílias que há décadas reservavam espreguiçadeiras e guarda-sóis durante semanas têm agora optado por alternativas mais frescas, motivadas pelo aumento do custo de vida e pelas ondas de calor intensas, com temperaturas superiores a 40 °C em várias regiões.
Nas praias do Lácio, por exemplo, alugar duas espreguiçadeiras e um guarda-sol custa, em média, 30 € por dia, valor que sobe para 90 € nas estâncias mais famosas da Apúlia e Sardenha.
Em contraste, as montanhas do norte do país, especialmente as Dolomitas e o Trentino, registam um aumento significativo de visitantes.
O Trentino, que alberga parques nacionais e picos de montanha, aproxima-se do recorde do verão passado de mais de 10 milhões de turistas. Alguns trilhos, como o de Seceda, receberam cerca de 8 000 pessoas num único dia de julho, tornando difícil a gestão do fluxo turístico.
O turismo de montanha tem beneficiado de verões mais longos e invernos com menos neve, oferecendo uma alternativa mais fresca e, muitas vezes, mais económica do que as praias.
Vários especialistas alertam, contudo, para a necessidade de reforçar infraestruturas e melhorar a gestão do fluxo de visitantes, evitando que locais icónicos sofram com excesso de turismo.
As iniciativas como manter cabanas abertas até mais tarde e promover atividades gastronómicas e vitivinícolas ajudam a distribuir melhor os turistas ao longo do outono, aliviando a pressão sobre os destinos mais conhecidos.
As mudanças refletem não só a adaptação ao calor extremo, mas também uma tendência crescente de turistas a procurarem experiências de verão mais sustentáveis e variadas, longe das praias superlotadas.
