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ONU alerta para agravamento dos incêndios florestais na Europa e América do Norte

Quase seis milhões de hectares já arderam em 2026 na Europa e na América do Norte, levando a Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa (CEE-ONU) a alertar para a necessidade urgente de reforçar a prevenção e a adaptação às alterações climáticas. Segundo a organização, a atual época de incêndios demonstra que os megaincêndios se tornaram uma ameaça recorrente e não poderão ser controlados de forma sustentável sem investimentos na gestão florestal e na resiliência dos territórios.

Na Europa, mais de 434 mil hectares foram consumidos pelas chamas desde o início do ano. Em França, os incêndios na região da Gironda destruíram cerca de 42 mil hectares de floresta de pinheiros e obrigaram à evacuação de dezenas de milhares de residentes e turistas. Espanha ultrapassou os 200 mil hectares ardidos, o dobro da sua média anual histórica, enquanto a Comissão Europeia alerta para um agravamento do risco de incêndio na Grécia e em Itália. Na América do Norte, a situação é ainda mais severa, com cerca de 1,85 milhões de hectares queimados nos Estados Unidos e 3,8 milhões de hectares no Canadá, onde continuam ativos dezenas de incêndios de grandes dimensões.

A CEE-ONU sublinha que cerca de 90% dos incêndios florestais têm origem em atividades humanas, seja por negligência ou atos intencionais. A organização defende que muitos destes fogos poderiam ser evitados através de campanhas de sensibilização, legislação mais rigorosa, restrições temporárias ao acesso a áreas florestais durante períodos de risco extremo e comportamentos responsáveis por parte da população.

A agência das Nações Unidas alerta ainda que as alterações climáticas estão a prolongar as épocas de incêndios e a aumentar a frequência e intensidade dos fenómenos extremos, como ondas de calor e secas prolongadas. Em 2021, os incêndios florestais libertaram cerca de 1,8 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono para a atmosfera e, entre 2001 e 2023, as emissões globais associadas aos fogos aumentaram aproximadamente 60%, criando um ciclo em que o aquecimento global favorece os incêndios e estes, por sua vez, agravam as alterações climáticas.

Além das perdas humanas, ambientais e económicas, a CEE-ONU estima que os incêndios florestais provoquem prejuízos anuais de cerca de 2,5 mil milhões de euros na União Europeia. Para reduzir estes impactos, a organização defende uma estratégia integrada que combine gestão sustentável das florestas, sistemas de alerta precoce, monitorização por satélite, inteligência artificial para deteção rápida de ignições e recuperação das áreas afetadas, reforçando a capacidade de resposta das comunidades perante um risco crescente.

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