A paisagem do asilo na Europa registou mudanças significativas nos primeiros seis meses de 2025. Até junho, os países da UE+ receberam 399 mil pedidos de asilo, uma queda de 23% face ao mesmo período de 2024. Esta redução deveu-se, sobretudo, ao forte recuo de pedidos de cidadãos sírios, que caíram dois terços, levando a Alemanha a perder o lugar de principal país receptor, com França e Espanha a receberem mais pedidos.
Com a queda do regime de Assad em dezembro de 2024, os venezuelanos tornaram-se o maior grupo de nacionalidade a pedir proteção internacional, com 49 mil pedidos, um aumento de 31% face ao ano anterior. A maioria dos pedidos venezuelanos (93%) foi registada em Espanha, devido à língua partilhada, à existência de uma diáspora e à tendência das autoridades espanholas em conceder-lhes formas de proteção nacionais. Outros grupos com tendência crescente incluem ucranianos (16 mil pedidos, +29%) e afegãos (42 mil pedidos), embora os ucranianos beneficiem sobretudo de proteção temporária, com 4,3 milhões de pessoas abrangidas até junho de 2025.
O índice de reconhecimento da UE+ caiu para 25%, o mais baixo alguma vez registado para um período semestral ou anual. Esta queda deveu-se, em grande parte, a fatores processuais, como a suspensão do processamento dos pedidos sírios e a contabilização de retiradas de pedidos como decisões negativas. Algumas nacionalidades mantiveram taxas estáveis (Bangladesh 4%, Paquistão 10%, Nigéria 10%), enquanto outras, como malianos (79%) e haitianos (86%), registaram aumentos consideráveis.
No total, 51% dos pedidos vieram de nacionalidades com baixa taxa de reconhecimento (≤20%), muitos dos quais poderão ser avaliados de forma acelerada a partir de meados de 2026. Até junho de 2025, havia 918 mil pedidos pendentes de decisão em primeira instância.
