O preço de referência do gás natural na Europa ultrapassou esta segunda-feira os 70 euros por megawatt-hora, pressionado pelo receio de novas perturbações nas exportações de gás natural liquefeito (GNL) do Golfo Pérsico.
O contrato TTF para entrega em outubro atingiu os 70,85 euros por MWh, num momento de crescente tensão entre os Estados Unidos e o Irão. O estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do comércio mundial de GNL, continua praticamente encerrado.
A subida dos preços acontece numa altura particularmente sensível para a Europa, que está a reforçar as reservas de gás antes do inverno. Os armazenamentos da União Europeia estavam, contudo, apenas 64,7% preenchidos, abaixo da média histórica para esta altura do ano.
Os preços elevados estão também a dificultar o enchimento dos depósitos em países como a Alemanha e os Países Baixos, que enfrentam metas de armazenamento de 70% e 80%, respetivamente, até 1 de novembro.
Uma interrupção prolongada das exportações de GNL do Médio Oriente poderá obrigar a Europa a disputar carregamentos com os mercados asiáticos, aumentando ainda mais a pressão sobre os preços. O Goldman Sachs admite que as cotações possam aproximar-se dos 100 euros por MWh caso a situação se prolongue.
Para as famílias, o impacto dependerá da duração da subida. Segundo estimativas da Oxford Economics, as alterações nos preços grossistas demoram, em média, cerca de seis meses a refletir-se totalmente nas faturas dos consumidores, embora o prazo varie entre países.
A Itália surge entre as economias mais expostas, devido à sua elevada dependência do gás e à rapidez com que as variações dos preços grossistas chegam aos consumidores.
