Mais de metade dos solos da Europa encontram-se degradados, uma situação que representa um desafio crescente para a agricultura, a biodiversidade e a segurança alimentar. Os investigadores europeus defendem que a recuperação da saúde dos solos através de práticas agrícolas mais sustentáveis não só traz benefícios ambientais, como também pode gerar vantagens económicas para agricultores e investidores.
O projeto europeu InBestSoil, coordenado pela Universidade de Vigo, em Espanha, está a desenvolver estudos em vários países para demonstrar que investir na regeneração dos solos pode ser financeiramente rentável. A iniciativa integra a Missão da União Europeia para um Pacto para o Solo na Europa, que pretende restaurar os solos degradados até 2030.
Entre as experiências realizadas destaca-se um ensaio na Sardenha, em Itália, onde o investigador comparou diferentes métodos de cultivo de trigo duro. Os resultados indicam que técnicas como a mobilização mínima do solo e a sementeira direta ajudam a aumentar os níveis de carbono, a diversidade microbiana e os nutrientes do solo, mantendo produtividades semelhantes à agricultura convencional e econômica com combustível e mão de obra.
O projeto também está a testar soluções em áreas florestais, urbanas e mineiras de vários países europeus. O investigador pretende criar ferramentas que permitam avaliar o retorno económico da recuperação dos solos, incluindo benefícios ambientais como a retenção de água, a redução do risco de inundações e o aumento da biodiversidade.
Além de apoiar agricultores e gestores de terras, os resultados poderão contribuir para a implementação da nova legislação europeia sobre monitorização da saúde dos solos. Os responsáveis pelo projeto acreditam que demonstrar o valor econômico dos solos saudáveis será fundamental para acelerar a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis em toda a Europa.
