As autoridades suecas estão a soar o alarme sobre um fenómeno crescente: adolescentes recrutadas como assassinas a soldo nas guerras entre gangs que têm mergulhado o país numa onda de violência. Procuradoras e especialistas sublinham que, para serem aceites, muitas destas jovens procuram mostrar-se ainda mais cruéis do que os rapazes.
Ida Arnell, procuradora em Estocolmo, revelou à AFP que acompanhou um caso de uma rapariga de 15 anos contratada para matar: “Ela pôde escolher entre disparar contra a porta ou contra a cabeça da vítima. Escolheu a cabeça”, relatou. A jovem acabou detida com um cúmplice de 17 anos, responsável por abrir fogo, deixando o alvo gravemente ferido.
Segundo Arnell, cada vez mais adolescentes oferecem os seus serviços a grupos criminosos através de aplicações de mensagens encriptadas, onde a violência é incentivada.
Só em 2024, cerca de 280 jovens entre os 15 e os 17 anos foram acusadas de homicídio, tentativa de homicídio ou outros crimes violentos.
A criminalidade organizada transformou-se numa ameaça sistémica na Suécia, um país que outrora se destacava pela baixa criminalidade.
Nos últimos 15 anos, os gangs expandiram-se com o tráfico de drogas, armas, pessoas e até fraudes sociais, infiltrando-se em setores como a assistência social, a política local e o sistema prisional juvenil.
“O envolvimento das raparigas no crime organizado tem sido ignorado durante demasiado tempo. Se partirmos da ideia de que são apenas vítimas, corremos o risco de não as ver nem como criminosas, nem como pessoas que precisam de ajuda.”, admitiu o ministro da Justiça sueco, Gunnar Strommer.
