Um novo relatório coordenado por investigadores da University College London e publicado pela revista científica The Lancet conclui que o aumento das temperaturas na Europa está a ter um impacto crescente e direto na saúde pública.
Segundo o estudo, em praticamente todas as regiões europeias analisadas registou-se um aumento das mortes associadas ao calor entre 2015 e 2024, comparativamente ao período de 1991–2000. A exposição a temperaturas extremas aumentou mais de 250%, e as horas em que o calor torna a atividade física perigosa cresceram de forma significativa.
O relatório destaca ainda efeitos indiretos das alterações climáticas, como o aumento da insegurança alimentar, a expansão de doenças transmitidas por vetores — incluindo um crescimento acentuado do risco de dengue — e o agravamento das desigualdades sociais, com populações mais vulneráveis a sofrerem mais com ondas de calor, incêndios e falta de espaços verdes.
Os investigadores apontam também para a persistente dependência europeia de combustíveis fósseis e para o elevado nível de subsídios públicos a essas fontes de energia, apesar do crescimento das energias renováveis nos últimos anos.
Embora o estudo reconheça avanços na transição energética, os autores alertam para um “desfasamento preocupante” entre a dimensão do problema climático e a resposta política e social atual.
