A União Europeia e os países da Ásia Central realizaram, em Samarcanda, no Uzbequistão, a sua primeira cimeira conjunta, com o objetivo de aprofundar relações comerciais, diplomáticas e estratégicas.
O encontro, que decorreu na passada semana, marcou um passo significativo no reposicionamento geopolítico da região, tradicionalmente influenciada pela Rússia e pela China.
A delegação europeia foi liderada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa.
Ambos destacaram a importância da reconexão da UE com parceiros estratégicos num mundo multipolar, sublinhando que a Ásia Central representa uma região-chave nesse esforço.
Durante a cimeira, os líderes discutiram temas como energia limpa, matérias-primas críticas, conetividade, segurança regional, turismo, educação e a guerra na Ucrânia.
A União Europeia reforçou a intenção de reduzir a sua dependência energética e tecnológica da Rússia e da China, procurando alternativas de fornecimento na Ásia Central.
Foram também abordadas questões relacionadas com a evasão às sanções impostas a Moscovo, embora fontes comunitárias tenham admitido que esses temas foram tratados com discrição, dada a natureza sensível dos regimes envolvidos.
A UE reiterou o compromisso com os direitos humanos, mas preferiu uma abordagem de diálogo e cooperação gradual.
A Comissão Europeia reafirmou os Memorandos de Entendimento já assinados com o Cazaquistão e o Uzbequistão e demonstrou abertura para novas parcerias industriais que permitam aos países da região desenvolver as suas cadeias de produção e exportação.
No domínio da infraestrutura, destacou-se o Corredor de Transporte Trans-Cáspio como uma prioridade estratégica. Bruxelas anunciou planos para realizar um novo Fórum de Investidores dedicado à iniciativa, visando acelerar os investimentos necessários para tornar a rota viável.
Apesar dos desafios logísticos e financeiros – com o Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento a estimar em 18,5 mil milhões de euros os investimentos necessários –, a UE reafirmou o compromisso de tornar o corredor uma alternativa sólida às rotas dominadas por Moscovo e Pequim.
Os países da Ásia Central tentam manter um equilíbrio delicado, aproximando-se do Ocidente sem comprometer as suas relações históricas com a Rússia e a China.
Ainda assim, o tom geral da cimeira foi de aproximação mútua e de interesse comum em desenvolver laços mais fortes, especialmente no domínio económico e energético.
