A dependência da União Europeia em relação à China continua a aumentar em várias áreas consideradas essenciais para a economia e para a transição energética. Dados recentes mostram que Pequim domina cadeias de fornecimento críticas, deixando a Europa com poucas alternativas viáveis em setores fundamentais.
Entre os exemplos mais evidentes está o setor da energia solar. A China fornece praticamente todos os painéis solares importados pela UE e controla grande parte da produção mundial de componentes utilizados na tecnologia fotovoltaica. A situação repete-se nas baterias para veículos elétricos e nos materiais necessários para turbinas eólicas e equipamentos de defesa.
A dependência estende-se também às terras raras e ao magnésio, matérias-primas indispensáveis para indústrias tecnológicas e energias renováveis. Bruxelas considera estes recursos estratégicos e teme que uma excessiva concentração do fornecimento possa transformar-se num risco económico e geopolítico.
Outro setor onde a presença chinesa cresceu rapidamente é o da robótica industrial. Nos últimos meses, as importações europeias de robôs fabricados na China dispararam, impulsionadas por preços muito mais baixos e pela forte capacidade produtiva das empresas chinesas, apoiadas por políticas industriais estatais.
Nos produtos químicos, têxteis e madeira, a tendência é semelhante. A entrada massiva de produtos chineses a preços reduzidos tem aumentado a pressão sobre fabricantes europeus, levando a Comissão Europeia a aplicar tarifas em alguns segmentos para tentar proteger a produção interna.
A preocupação em Bruxelas vai além da balança comercial. O receio é que a Europa fique demasiado dependente de um único fornecedor em áreas consideradas estratégicas para a indústria, tecnologia, energia e defesa. Por isso, cresce a pressão para diversificar fornecedores, reforçar a produção europeia e reduzir vulnerabilidades económicas perante a China.
