Os desequilíbrios globais das contas correntes aumentaram em 2025, impulsionados sobretudo pelo forte crescimento do excedente externo da China, alertou o Fundo Monetário Internacional (FMI). A organização defende que um reequilíbrio sustentável da economia mundial exige medidas políticas tanto nos países com elevados excedentes como nas economias com grandes défices.
De acordo com o mais recente Relatório do Sector Externo do FMI, o excedente da China na conta corrente aumentou cerca de 300 mil milhões de dólares no último ano, representando a maior subida em termos absolutos desde pelo menos 2000. O valor atingiu aproximadamente 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. Em sentido contrário, o défice da conta corrente dos Estados Unidos reduziu-se em 69 mil milhões de dólares, mas continua a ser o maior do mundo, equivalente a cerca de 0,9% do PIB global.
O organismo explica que o aumento dos desequilíbrios ocorre num contexto marcado por fortes tensões comerciais e mudanças significativas na política comercial norte-americana. Apesar de as barreiras comerciais anteriores não terem demonstrado um impacto claro nos saldos globais de conta corrente, as medidas recentes já provocaram alterações importantes nos fluxos comerciais, com uma redução das importações dos Estados Unidos provenientes da China e um aumento das compras a outros mercados.
O FMI sublinha que nem todos os excedentes ou défices externos representam um problema, uma vez que os países recorrem naturalmente ao financiamento internacional para investir e equilibrar as suas economias. No entanto, a instituição alerta que desequilíbrios elevados e persistentes podem indicar uma utilização ineficiente de recursos, aumentar vulnerabilidades financeiras e criar riscos de ajustamentos bruscos no futuro.
No caso da China, o aumento do excedente externo está relacionado com a redução do investimento, inicialmente no sector imobiliário e mais recentemente na indústria transformadora e nas infra-estruturas, além de uma elevada taxa estrutural de poupança das famílias devido a preocupações com a protecção social. Nos Estados Unidos, o FMI aponta a baixa taxa de poupança e os elevados défices orçamentais como principais factores responsáveis pelo desequilíbrio externo.
Para reduzir os riscos, o FMI defende uma actuação coordenada entre as principais economias mundiais, incluindo Estados Unidos, China e zona euro. A organização considera que um reforço da procura interna e do investimento nos países excedentários poderia compensar os efeitos negativos de políticas de consolidação fiscal nas economias deficitárias. Caso as tendências actuais se mantenham, o organismo alerta que os desequilíbrios poderão continuar a crescer e aumentar o risco de uma correcção económica mais profunda e desordenada no futuro.
