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Guterres alerta para ameaça sem precedentes à Carta da ONU e apela ao reforço do multilateralismo

O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, advertiu que a Organização das Nações Unidas enfrenta um dos momentos mais desafiantes desde a sua criação, alertando para o aumento dos conflitos armados, da corrida ao armamento, das tensões geopolíticas e da erosão do direito internacional. A declaração foi feita durante um debate de alto nível do Conselho de Segurança das Nações Unidas convocado pela China.

Perante representantes de mais de uma centena de países, Guterres descreveu a Carta da ONU como um “guia de sobrevivência para a humanidade”, mas alertou que os seus princípios fundamentais estão sob forte pressão. Segundo o responsável, o mundo enfrenta actualmente o maior número de conflitos desde a fundação das Nações Unidas, num contexto de crescente divisão entre potências e enfraquecimento das normas internacionais.

Entre os principais riscos identificados pelo Secretário-Geral estão o agravamento da desconfiança geopolítica, o crescimento dos gastos militares, o desenvolvimento acelerado da inteligência artificial e de sistemas de armamento autónomo, os ataques aos direitos humanos, o aumento das desigualdades e o agravamento da crise climática. Para Guterres, estes desafios estão interligados e colocam à prova a capacidade de resposta do sistema internacional criado após a Segunda Guerra Mundial.

O líder da ONU destacou igualmente os conflitos em curso na Ucrânia, no Médio Oriente e no Sudão, defendendo esforços diplomáticos para evitar novas escaladas militares. Manifestou preocupação com relatos recentes relacionados com operações militares russas e com a persistência de tensões envolvendo Israel, o Líbano, a Faixa de Gaza e as negociações entre os Estados Unidos e o Irão.

No encerramento da intervenção, António Guterres apelou aos Estados para reforçarem o investimento na prevenção de conflitos, defenderem o direito internacional sem “dois pesos e duas medidas” e avançarem com reformas nas instituições multilaterais. Entre os exemplos apontados, destacou a ausência de representação africana permanente no Conselho de Segurança, classificando-a como uma injustiça histórica que compromete a legitimidade e eficácia do órgão. “O mundo está a observar e exige acção, não apenas palavras”, concluiu.

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