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Guterres alerta para expansão das guerras e agravamento das desigualdades no mundo

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou, a 22 de outubro, à comunidade internacional para combater as desigualdades e travar a expansão dos conflitos armados, defendendo que estas medidas são essenciais para garantir um mundo mais seguro. Em declarações à imprensa, em Nova Iorque, antes de uma visita ao Egipto, o responsável alertou para o crescente descontentamento social na Europa e noutras regiões, associado ao aumento do custo de vida e à perda de perspectivas de futuro, sobretudo entre os jovens.

Guterres afirmou que a subida dos preços dos alimentos, dos combustíveis e de outros bens essenciais, juntamente com os encargos financeiros crescentes, está a intensificar a pressão sobre famílias e países. Embora tenha condenado os actos de violência e destruição registados durante protestos em França, Itália e noutros locais, sublinhou que as reivindicações legítimas dos manifestantes não devem ser ignoradas. Para o secretário-geral, é necessário compreender a ligação entre estas queixas sociais e a instabilidade internacional.

O dirigente das Nações Unidas alertou ainda para a multiplicação dos conflitos e para os seus efeitos além das zonas de combate, recorrendo à expressão «El Niño da guerra» para descrever a propagação das consequências da violência. Apontou como exemplos o Médio Oriente, a Ucrânia e o Sudão, onde civis e infra-estruturas essenciais, incluindo habitações, hospitais, escolas e instalações energéticas, continuam a ser atingidos. Segundo Guterres, as guerras perturbam igualmente os mercados da energia, o transporte marítimo, as cadeias de abastecimento e os sistemas financeiros, agravando as desigualdades existentes.

Relativamente ao Médio Oriente, o secretário-geral manifestou preocupação com a escalada da violência no Iémen, incluindo na região de Taiz, e apelou à moderação e ao diálogo político. Nos Territórios Palestinianos Ocupados, denunciou as restrições à entrada de ajuda humanitária em Gaza, as dificuldades na implementação do plano para pôr fim ao conflito e os ataques de colonos israelitas contra palestinianos na Cisjordânia. Guterres pediu também aos doadores que reforcem o financiamento do Programa Alimentar Mundial, que necessita de 450 milhões de dólares para as operações em Gaza e na Cisjordânia durante os seis meses seguintes, reiterando o apoio a uma solução de dois Estados.

Antes da deslocação ao Egipto, o responsável da ONU reafirmou que a prioridade deve ser impedir a propagação das guerras, proteger os civis e criar condições para a diplomacia. Defendeu igualmente que os governos e as instituições internacionais devem responder às expectativas das populações, combatendo as desigualdades que dividem as sociedades e evitando que os recursos necessários ao desenvolvimento sejam absorvidos pelos conflitos. Para Guterres, a segurança e a dignidade devem ser garantidas a todas as pessoas, independentemente do país onde vivem ou da sua condição económica.

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