O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou o ataque com mísseis atribuído aos houthis contra o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, na Arábia Saudita, que provocou 12 mortos e mais de 300 feridos, segundo as autoridades sauditas. Numa declaração divulgada a 10 de Outubro, Guterres afirmou que os ataques contra civis e infra-estruturas civis violam o direito internacional e exigiu o fim imediato das ofensivas. «Estes ataques devem cessar imediatamente», declarou.
A autoridade de aviação civil saudita contabilizou 309 feridos, alguns dos quais em estado grave. Entre as vítimas mortais encontram-se cidadãos da Arábia Saudita, do Bangladesh, dos Estados Unidos, do Egipto, da Jordânia, da Síria, da Palestina e do Sudão. O ataque obrigou à suspensão de operações e ao desvio de voos. No domingo, as autoridades comunicaram ainda que outro projéctil atingiu um terminal de passageiros, provocando novos feridos e um incêndio.
Este foi o terceiro ataque atribuído aos houthis contra o aeroporto durante a semana, segundo a informação divulgada pela ONU. As ofensivas anteriores terão provocado outras mortes e dezenas de feridos. Em resposta à escalada, o vice-presidente do Governo iemenita internacionalmente reconhecido apelou a uma intervenção decisiva dos parceiros regionais e internacionais para travar os ataques. Entretanto, os meios de comunicação ligados aos houthis noticiaram um ataque aéreo contra o aeroporto de Sana’a, capital do Iémen controlada pelo movimento, atribuindo a operação à Arábia Saudita.
O agravamento da violência ocorre no contexto da guerra entre os houthis, apoiados pelo Irão, e o Governo iemenita, apoiado pela Arábia Saudita, conflito iniciado em 2014. A trégua de 2022 manteve os combates relativamente contidos durante vários anos, mas a recente intensificação das operações militares e dos ataques com mísseis e drones voltou a aumentar a instabilidade regional. A disputa pelo controlo de zonas estratégicas do Mar Vermelho, incluindo a passagem de Bab el-Mandeb, representa também uma ameaça às rotas comerciais e ao transporte internacional de energia.
No Conselho de Segurança da ONU, o enviado especial para o Iémen, Hans Grundberg, alertou para o regresso do país a uma guerra de grande escala e para os riscos acrescidos para a segurança e a economia regionais. Mohamed Yahya, coordenador adjunto da ajuda humanitária de emergência das Nações Unidas, indicou que mais de 200 mil pessoas foram deslocadas desde Agosto, o maior número de novos deslocamentos desde o cessar-fogo de 2022. A organização alerta para as consequências humanitárias da escalada e apela à protecção dos civis e ao respeito pelo direito internacional.
