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Guterres propõe um “reinício” das operações de paz das Nações Unidas

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, propôs um «reinício» das operações de paz da organização para as adaptar a um cenário internacional marcado pelo aumento dos conflitos, pela redução dos acordos de paz e pelo aparecimento de novas ameaças. A proposta foi apresentada a 26 de Agosto perante a Assembleia Geral da ONU, durante a apresentação de uma revisão sobre o futuro das operações de paz.

Guterres alertou que o número de conflitos no mundo está no nível mais elevado desde 1945 e que, nos últimos cinco anos, foram registadas mais mortes relacionadas com combates do que nos 25 anos anteriores. O secretário-geral destacou ainda a transformação dos conflitos, com o uso crescente de drones, o risco associado a armas autónomas letais baseadas em inteligência artificial, a expansão das redes criminosas transnacionais e o regresso da ameaça nuclear.

Perante este cenário, o secretário-geral defendeu que as operações de manutenção da paz devem ser utilizadas sobretudo quando exista um acordo de paz ou, pelo menos, um cessar-fogo sólido. Segundo Guterres, não é possível manter uma paz que não existe, numa altura em que os acordos são cada vez menos frequentes e mais frágeis. A revisão recomenda, por isso, um reforço da diplomacia preventiva, da mediação e dos esforços de resolução pacífica de conflitos.

A proposta prevê igualmente mandatos mais claros, flexíveis e adaptáveis às condições no terreno, acompanhados por avaliações regulares e planos de transição e retirada preparados com antecedência. Guterres defendeu também uma maior coordenação entre os países anfitriões, o Conselho de Segurança, os Estados que fornecem tropas e polícias e a Secretaria das Nações Unidas, além de uma cooperação mais estreita com organizações regionais, em particular a União Africana.

O secretário-geral citou o processo de paz na Colômbia como exemplo do papel que a ONU pode desempenhar através da diplomacia e dos seus bons ofícios. Ao mesmo tempo, pediu operações mais ágeis, com melhores capacidades tecnológicas e de planeamento, e reforçou a necessidade de proteger os capacetes azuis. Para Guterres, as operações de paz continuam a ser instrumentos essencialmente políticos e o seu sucesso depende de mandatos adequados, da vontade das partes envolvidas e do apoio dos Estados-membros e do Conselho de Segurança.

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