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Ilha de gelo do tamanho de Manhattan desprende-se de uma das maiores plataformas da Groenlândia

Uma enorme secção da língua de gelo flutuante da geleira Petermann, no noroeste da Groenlândia, desprendeu-se a 4 de agosto, formando um iceberg tabular com cerca de 76 quilómetros quadrados, aproximadamente a área de Manhattan. O fenómeno foi observado pela missão Copernicus Sentinel-1, da Agência Espacial Europeia (ESA), e representa a maior perda de gelo flutuante da geleira desde 2012.

As imagens de radar dos satélites mostram que as fraturas na plataforma de gelo se agravaram rapidamente antes do desprendimento. Observações realizadas em abril já tinham identificado deformações e fissuras, enquanto imagens obtidas a 3 de agosto revelaram uma deterioração significativa no centro da língua de gelo. No dia seguinte, a grande placa separou-se da margem oriental da geleira. O radar do Sentinel-1 permite acompanhar estas alterações mesmo durante a noite e através das nuvens.

A Petermann já protagonizou grandes episódios de desprendimento em 2008, 2010 e 2012, mas manteve-se relativamente estável desde o último grande evento. O novo iceberg poderá, contudo, não ser o último: os investigadores identificaram duas outras áreas de gelo, estimadas em cerca de 97 e 87 quilómetros quadrados, onde as fissuras continuam a avançar e que poderão também separar-se no futuro.

Os cientistas consideram o acontecimento particularmente relevante porque grandes icebergs tabulares são muito menos comuns no Ártico do que nas águas que rodeiam a Antártida. O acompanhamento do novo iceberg permitirá estudar como estas enormes massas de gelo se deslocam, fragmentam e interagem com o oceano. A investigação poderá ainda contribuir para compreender melhor a evolução das plataformas de gelo e os seus efeitos sobre a dinâmica das geleiras e o sistema climático.

O iceberg, que poderá atingir 150 metros de espessura, está agora a ser monitorizado devido aos possíveis riscos para a navegação e para infraestruturas no Ártico. As autoridades canadianas acompanham a sua trajetória, uma vez que grandes massas de gelo podem permanecer no oceano durante anos e fragmentar-se progressivamente em pedaços menores, tornando a sua deteção e monitorização mais difícil.

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