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Mais de 1.000 trabalhadores humanitários morreram em três anos devido à violência nos conflitos

Mais de 1.000 trabalhadores humanitários foram mortos nos últimos três anos enquanto prestavam assistência em zonas de conflito, alertou esta quarta-feira, 19 de Agosto, a Organização das Nações Unidas (ONU), por ocasião do Dia Mundial da Assistência Humanitária. A crescente utilização de drones armados está a agravar os riscos enfrentados pelas equipas no terreno.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA), 907 trabalhadores humanitários foram vítimas de actos de violência em 2025, dos quais 350 morreram. Trata-se da segunda maior cifra anual de mortes alguma vez registada. Nos primeiros meses de 2026, 82 trabalhadores humanitários já perderam a vida, 97 ficaram feridos e 39 foram sequestrados.

A Faixa de Gaza continuou, pelo terceiro ano consecutivo, a ser o local mais letal para os trabalhadores humanitários, com 186 mortos em 2025, 68% dos quais devido a ataques aéreos. No Sudão, morreram 71 trabalhadores humanitários, o número mais elevado registado no país, enquanto a Ucrânia, Etiópia, Síria, Haiti, Chade e Camarões também registaram níveis elevados de violência.

A ONU alerta ainda para o impacto crescente dos drones armados. Na Colômbia, os ataques com drones quadruplicaram entre 2024 e 2025, passando de 61 para 333 incidentes. No Sudão, os drones foram responsáveis por 80% das mortes de civis registadas nos primeiros quatro meses de 2026, atingindo também mercados e centros de saúde. Na Ucrânia, quatro comboios humanitários foram atingidos por ataques numa única semana de Maio.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou aos Estados para que protejam os trabalhadores humanitários e respeitem o direito internacional humanitário. O Dia Mundial da Assistência Humanitária assinala-se todos os anos a 19 de Agosto, em memória dos 22 trabalhadores das Nações Unidas mortos no atentado contra o Hotel Canal, em Bagdade, em 2003. Este ano, a ONU lançou a campanha #ActuaPelaHumanidade para exigir maior protecção dos civis e das equipas que prestam ajuda em zonas de conflito.

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