A decisão dos Estados Unidos de prolongar o cessar-fogo com o Irão mantém aberta uma frágil janela para a diplomacia, mas novos incidentes no Estreito de Ormuz evidenciam a instabilidade na região. O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, saudou a extensão do acordo, apelando à contenção e ao reforço do diálogo entre as partes.
Apesar dos esforços diplomáticos, a situação no Estreito de Ormuz continua volátil, com relatos de ataques e apreensões de navios comerciais ao largo da costa iraniana. A United Kingdom Maritime Trade Operations indicou que embarcações foram alvo de disparos e sofreram danos significativos, embora não haja registo de vítimas entre as tripulações.
A importância estratégica desta rota marítima — fundamental para o transporte global de petróleo e gás — agrava os riscos, numa altura em que o tráfego já registou uma quebra acentuada desde o início dos bombardeamentos envolvendo os Estados Unidos e Israel no final de fevereiro. O aumento dos custos de seguro e a insegurança marítima têm afectado o comércio internacional.
Também a Organização Marítima Internacional alertou para a gravidade da situação. O seu secretário-geral, Arsenio Dominguez, classificou os ataques a navios como “inaceitáveis” e apelou à libertação das embarcações e tripulações afectadas, sublinhando que milhares de marinheiros enfrentam condições extremamente precárias.
Paralelamente, no Líbano, um cessar-fogo temporário permitiu o regresso de dezenas de milhares de deslocados, embora a situação humanitária permaneça crítica. De acordo com o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, mais de 120 mil pessoas continuam deslocadas, enquanto infraestruturas essenciais, incluindo hospitais, foram severamente afectadas pelo conflito.
