O Fundo das Nações Unidas para a Infância, UNICEF, alertou esta terça-feira para o agravamento da situação das crianças palestinianas na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental. Durante uma conferência de imprensa realizada no Palácio das Nações, em Genebra, o porta-voz global da organização, James Elder, afirmou que as operações militares e os ataques de colonos estão a destruir “casas, escolas e a própria infância” de milhares de menores palestinianos.
Segundo os dados apresentados pelo UNICEF, pelo menos 70 crianças palestinianas morreram entre janeiro de 2025 e maio de 2026, numa média de uma morte por semana. Cerca de 93% dessas vítimas terão sido mortas por forças israelitas. Além disso, mais de 850 crianças ficaram feridas, muitas delas atingidas por munições reais. A organização sublinha ainda o aumento dos ataques de colonos israelitas, que incluem agressões físicas, esfaqueamentos e ataques com gás pimenta contra menores.
A organização internacional denunciou também a destruição contínua de infraestruturas essenciais à sobrevivência das comunidades palestinianas. Casas têm sido demolidas, sistemas de água vandalizados e o acesso a cuidados de saúde e educação cada vez mais restringido. Nos últimos 30 meses, foram impostas mais de 900 barreiras e limitações à circulação na Cisjordânia, dificultando o acesso de crianças a escolas, hospitais e serviços básicos.
O impacto na educação é particularmente preocupante. Só em 2026 foram registados 99 incidentes relacionados com escolas, incluindo demolições, detenções de estudantes e utilização militar de edifícios escolares.
A UNICEF apelou às autoridades israelitas e à comunidade internacional para que sejam tomadas medidas urgentes de proteção das crianças palestinianas e dos seus direitos fundamentais. A organização reforçou ainda que continua a prestar apoio humanitário na região, através do fornecimento de água potável, cuidados de saúde, materiais escolares e apoio psicológico às famílias afetadas pelo conflito.
