A crise militar no Médio Oriente agravou-se drasticamente nas últimas horas. O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos (EAU) confirmou que mísseis de cruzeiro iranianos atingiram dois petroleiros associados ao país que transitavam pelo Estreito de Ormuz. O ataque resultou na morte de um tripulante de nacionalidade indiana e causou ferimentos em outros oito marinheiros. As autoridades de Abu Dhabi classificaram a ofensiva como uma violação grave do direito internacional e garantiram que o país reserva o direito de responder a esta escalada militar na região.
Quase em simultâneo, as forças armadas dos Estados Unidos, sob a égide do Comando Central (CENTCOM), realizaram a sua terceira noite consecutiva de bombardeamentos aéreos contra alvos militares no interior do Irão. De acordo com fontes locais, os ataques norte-americanos provocaram pelo menos três mortos em território iraniano. Washington justifica a continuidade da ofensiva com a necessidade de degradar a capacidade de Teerão de ameaçar a navegação comercial e os navios civis que utilizam aquela que é uma das rotas energéticas mais importantes do planeta.
Em termos políticos e económicos, o conflito entrou numa fase de forte incerteza após o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado a reposição imediata do bloqueio naval aos portos do Irão, agendada para esta terça-feira. Trump reiterou que os EUA assumirão o papel de “guardiões do estreito” e que passarão a cobrar uma taxa de segurança de 20% sobre todas as mercadorias que cruzem a passagem. Em resposta, o homólogo de Pequim instou ambas as partes à contenção, com o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês a apelar à restauração urgente da livre circulação para salvaguardar a estabilidade económica global.
Perante o caos instalado na região, o preço do crude nos mercados internacionais registou uma nova subida abrupta nas primeiras horas desta manhã, refletindo o receio generalizado de uma rutura prolongada no abastecimento de petróleo. Especialistas alertam que o colapso definitivo do acordo de trégua temporária de 60 dias, assinado no mês passado, coloca o Médio Oriente à beira de uma guerra total, com impactos profundos e potencialmente irreversíveis na inflação e na distribuição global de bens alimentares e recursos energéticos.
