A segurança alimentar e a situação nutricional das crianças na Faixa de Gaza registaram melhorias nos últimos meses graças ao reforço da assistência humanitária e ao aumento limitado do comércio, mas as Nações Unidas alertam que os progressos permanecem extremamente frágeis. Numa nova análise divulgada esta quinta-feira, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o UNICEF e o Programa Alimentar Mundial (PAM) sublinham que a maioria da população continua dependente da ajuda humanitária, enquanto persistem fortes restrições ao acesso a bens essenciais e à recuperação da economia local.
Segundo a mais recente avaliação da Classificação Integrada das Fases da Segurança Alimentar (IPC), cerca de 1,4 milhões de pessoas, o equivalente a 67% da população de Gaza, enfrentam níveis críticos ou superiores de insegurança alimentar aguda, uma redução face aos 1,6 milhões registados no final de 2025. Apesar desta melhoria, aproximadamente 212 mil pessoas continuam em situação de emergência alimentar, sobretudo nas zonas próximas da linha de controlo militar israelita, onde o acesso à assistência continua muito limitado.
As agências da ONU destacam que o reforço da ajuda permitiu, em maio de 2026, distribuir alimentos a cerca de 1,5 milhões de pessoas, prestar apoio financeiro a 700 mil beneficiários e assegurar assistência nutricional a 60% das crianças com menos de cinco anos. Ainda assim, estimam que 74 mil crianças necessitarão de tratamento para desnutrição aguda no próximo ano e que cerca de 25 mil mulheres grávidas e lactantes continuarão a precisar de apoio nutricional especializado.
Apesar dos sinais de recuperação em alguns sectores, como a pecuária, onde o efetivo ovino aumentou 33% nas áreas apoiadas, a produção agrícola continua severamente condicionada. Mais de 70% das terras cultiváveis permanecem inacessíveis e apenas 3% estão atualmente em condições de utilização. A FAO, o UNICEF e o PAM defendem que a recuperação sustentável exige o levantamento das restrições à entrada de bens agrícolas, a reabertura do acesso ao mar para a atividade piscatória, o restabelecimento dos serviços de água, saneamento e saúde e um financiamento internacional reforçado, alertando que, sem estas condições, os avanços alcançados poderão ser rapidamente revertidos.
