A escalada do conflito no Oriente Médio, envolvendo países como Estados Unidos, Israel e Irã, está a gerar preocupações crescentes sobre os seus impactos na economia mundial. Segundo o Fundo Monetário Internacional, o aumento dos preços da energia provocado pela guerra pode desacelerar o crescimento global e impulsionar a inflação nos próximos anos.
De acordo com o mais recente relatório “Perspectivas da Economia Mundial”, o conflito interrompeu uma trajetória de recuperação económica que vinha sendo observada no início de 2026. O FMI estima agora que o crescimento global será inferior ao esperado, podendo cair para 2,5% num cenário adverso, enquanto a inflação pode atingir 5,4%, refletindo sobretudo o encarecimento dos combustíveis e fertilizantes.
Apesar de os mercados financeiros terem demonstrado alguma resiliência inicial, o FMI alerta que essa estabilidade pode ser enganadora. A organização destaca riscos associados à elevada alavancagem em setores não bancários e à falta de transparência no crédito privado, fatores que podem amplificar choques e gerar instabilidade mais profunda caso a situação se agrave.
O impacto da crise é desigual entre países. Economias emergentes e em desenvolvimento são as mais vulneráveis, sobretudo aquelas dependentes da importação de energia e matérias-primas. Nesses países, a subida dos preços tende a pressionar ainda mais a inflação e a comprometer o crescimento económico.
Num cenário mais extremo, que inclua danos diretos à infraestrutura energética na região, o FMI admite que o crescimento global possa cair para cerca de 2%, enquanto a inflação poderá ultrapassar os 6% em 2027. Diante desse quadro, a instituição apela à cooperação internacional e à atuação vigilante dos bancos centrais para evitar uma crise económica mais profunda.
