No rescaldo dos ataques mútuos diretos entre Israel e Irão, nas semanas passadas, (que, para já, parecem não ter sequência prevista), o executivo de Netanyahu aparenta estar cada vez mais investido em focar-se na frente libanesa diretamente contra o Hezbollah.
Na sexta-feira e sábado passado, ataques aéreos israelitas assassinaram 4 combatentes do grupo xiita em zonas residenciais no sul do Líbano. Entretanto, o Hezbollah abateu um drone militar israelita que sobrevoava a aldeia libanesa de Aaichiyeh e lançou um ataque de 35 mísseis que atravessaram a fronteira em direção a Ein Zeitim, no norte de Israel, sem vítimas mortais.
Apesar da intensificação das operações militares entre Israel e o Hezbollah, esta guerra de atrito (cuja duração vai muito para lá da guerra de 2006) tem revelado que a extensão do conflito parece não ser sustentável a longo prazo. O Hezbollah conta com quase 300 oficiais mortos, desde 8 de outubro do ano passado, e o Líbano continua a atravessar a pior crise socioeconómica de sempre.
Por outro lado, o executivo de Netanyahu é alvo de críticas crescentes por parte da comunidade internacional (muito devido à situação catastrófica em Gaza), a falta de soluções relativamente ao resgate dos reféns israelitas e à neutralização do Hamas no terreno, e, internamente, vários oficiais apresentaram demissão (a mais recente foi do comandante de inteligência militar Aharon Haliva). Netanyahu tem sido também pesadamente criticado pelo próprio povo israelita. No início desta semana, milhares de cidadãos protestaram nas ruas de Tel Aviv contra o seu Primeiro-Ministro.
Sem um cessar-fogo no horizonte, o regresso dos milhares de civis israelitas e libaneses às zonas fronteiriças afetadas pela guerra permanece uma impossibilidade e um elemento crítico na sustentabilidade deste conflito.
João Sousa
