O exército Israelita assassinou três indivíduos num ataque com um drone contra um carro que circulava entre Quneitra e Aqtanit, no distrito de Saida, a terceira maior cidade do Líbano, na segunda-feira, 22 de dezembro.
Apesar de um dos mortos ter sido identificado como membro do exército libanês, Tel Aviv anunciou que todas as vítimas eram pertencentes ao Hezbollah. Segundo o porta-voz das forças armadas israelitas, um dos indivíduos assassinados no ataque de drone estaria envolvido no processo de reconstrução das infraestruturas militares do grupo xiita perto de Saida. Já no domingo anterior, militares israelitas tinham efetuado um ataque no sul do Líbano que resultou na morte de uma pessoa e em dois feridos.
O ataque de drone no distrito de Saida não foi o único perpetrado por Israel nessa segunda-feira; horas antes, o exército Israelita disparou cinco projécteis de artilharia nos arredores da aldeia fronteiriça de Labbouneh e lançou ainda várias granadas no distrito de Bint Jbeil, e também perto de Alma al-Shaab.
Apesar de fontes próximas do Hezbollah garantirem que este já não mantém presença militar a sul do Rio Litani, o executivo de Benjamin Netanyahu insiste que o grupo xiita tem estado a reforçar-se e potencialmente a preparar-se para uma guerra renovada contra Israel, pretexto usado pelos oficiais Israelitas para justificar a ameaça de uma operação militar de grande escala no Líbano prevista para o início de 2026.
Por seu lado, o Secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, afirmou que o grupo xiita terminará a sua presença militar a sul do Litani, num processo efetuado em coordenação com o exército Libanês. Contudo, Qassem tem sistematicamente rejeitado o desarmamento total do grupo noutras partes do país, alegando que as suas armas são fundamentais para a defesa do Líbano, um argumento reforçado pela ocupação ilegal Israelita em cinco pontos estratégicos ao longo das zonas fronteiriças entre os dois países.
Desde o início do cessar-fogo, assinado no dia 27 de Novembro de 2024, Israel já efetuou mais de 10 mil violações, de acordo com a FINUL (Força Interina das Nações Unidas no Líbano), numa média de um ataque a cada 4 horas, cujas agressões já fizeram mais de 300 mortos.
João Sousa, correspondente para a e-Global a partir do sul do Líbano
