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Líbano: Discurso do Hezbollah em clima de tensão elevada em Beirute

Sayyed Hassan Nasrallah, o Secretário-Geral do Hezbollah, fez um discurso em directo esta terça-feira à tarde para marcar a primeira semana desde o assassínio do alto comandante do grupo xiita Fuad Shukr, morto por Israel num ataque de drone numa zona residencial em Beirute.

Minutos antes do discurso, a capital libanesa viveu momentos de extrema tensão devido a vários estrondos sónicos que se ouviram e sentiram por todo o lado, resultantes da quebra da barreira de som por parte de caças israelitas quando sobrevoavam Beirute e outras zonas no Líbano. A pressão atmosférica destes estrondos foi suficientemente potente para estilhaçar vidros de janelas e causar alguns acidentes de viação (devido aos sustos criados pelos sons abruptos).

A brutalidade sonora destes estrondos sónicos trouxeram também à tona o trauma colectivo das pessoas de Beirute e as respectivas memórias da explosão do porto, cujas comemorações do seu quarto aniversário tiveram lugar apenas dois dias antes.

Nasrallah, no seu discurso de terça-feira, fez referências aos estrondos sónicos, considerando-os parte do terrorismo psicológico imposto por Israel, numa população que viu milhares dos seus cidadãos a fugir do Líbano nos últimos dias devido ao receio de uma invasão orquestrada pelo executivo de Benjamin Netanyahu.

No entanto, Nasrallah realçou que os israelitas estão a passar por uma experiência muito pior e traumatizante do que os estrondos sónicos: o som das sirenes a ecoar por várias das suas cidades enquanto o Hezbollah vai enviando mísseis e drones suicidas contra o seu território.

Nasrallah finalizou o seu discurso avisando que as retaliações por parte do Eixo da Resistência, liderado pelo Irão, será forte e eficaz e que nenhuma mediação diplomática internacional será suficiente para parar as suas operações contra Israel, que poderão vir de várias frentes, incluindo do próprio Hezbollah.

Porém, não ficou claro exactamente quando e onde estas retaliações poderão ter lugar. A longa espera, segundo Nasrallah, faz parte da táctica de aumentar a pressão psicológica sobre os israelitas e, sobretudo, sobre Netanyahu, que há dias sugeriu efectuar uma ofensiva preemptiva contra o Irão, entretanto desaconselhada por Joe Biden.

Por seu lado, Israel continua a fazer ameaças contra o Hezbollah e, após o discurso de Nasrallah, alguns dos seus dirigentes sugeriram escalar o conflito através de bombardeamentos devastadores no Líbano e o assassínio do líder do Hezbollah.

Este compasso de espera imposto pelo Irão tem prejudicado Netanyahu. O Primeiro-Ministro israelita está cada vez mais pressionado internamente por não conseguir derrotar o Hamas nem encontrar soluções militares em Gaza, que causou mais de 10 mil mortos e feridos entre os seus soldados desde Outubro do ano passado. Também a frente Norte contra o Hezbollah está enfraquecida, com falhas técnicas sistemáticas da Cúpula de Ferro, que ainda na terça-feira lançou um míssil interceptor que caiu na cidade de Nahariya ferindo gravemente um civil israelita. Para além disto, milhares de israelitas têm sido forçados a permanecer dentro de abrigos de guerra por tempo indeterminado enquanto aguardam a retaliação iraniana, o que tem aumentado pânico e stress colectivo entre a população em vários pontos do país.

O Eixo da Resistência tem também colocado pressão sobre os EUA dentro da região. Na segunda-feira à noite, a base militar Norte-Americana de Ain Al Asad, no Iraque, foi atacada com rockets por grupos associados ao regime iraniano, fazendo 7 feridos. Uma operação que poderá fazer parte da contra-ofensiva prometida pelo Eixo da Resistência. No início desta semana, a Rússia, aliada do regime de Teerão, começou a enviar armamento aéreo para o Irão como possível resposta à presença dos navios de guerra Norte-Americanos no Mar Mediterrâneo. 

O assassínio de Ismail Haniyeh, Chefe do Hamas, que entretanto anunciou Yahya Sinwar como o seu novo líder, teve inicialmente como objectivos enfraquecer o Eixo da Resistência e provocar uma poderosa retaliação do Irão para legitimar respostas militares devastadoras de Israel e despoletar uma guerra regional. No entanto, esta ação acabou por prejudicar gravemente o executivo de Netanyahu: a Resistência continua a intensificar as suas operações e tem-se fortalecido militarmente, nomeadamente através da Rússia.

O Médio Oriente continua em estado de alerta geral e muitos temem uma escalada sem precedentes, no entanto, Israel mostra cada vez mais sinais de fraqueza interna e externa e falta de soluções para sustentar uma guerra devastadora que dura já há 10 meses.

João Sousa, e-Global

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