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Líbano: Explosões de dispositivos continuam a fazer mortos e feridos

(C) João Sousa

Um dia após a sabotagem e detonação remota de inúmeros pagers em várias partes do território libanês, que causaram mais de uma dezena de mortos e milhares de feridos, foram registadas mais explosões, desta vez em walkie-talkies, também pertencentes a membros do Hezbollah.

Em dois dias, a contagem de vítimas já vai em 32 mortos e mais de 3 mil feridos confirmados, muitos deles em estado crítico e a necessitar de intervenções cirúrgicas delicadas, nomeadamente a olhos, mãos e órgãos internos. Foi também confirmado que o pager do embaixador Iraniano no Líbano explodiu, causado a perda de um dos seus olhos.

O número crescente de pacientes tem saturado o espaço nos hospitais e levado à criação improvisada de postos de assistência médica e doação de sangue nas ruas de Beirute.

Algumas das explosões de quarta-feira foram registadas em funerais, onde se encontravam reunidos milhares de pessoas. Houve momentos de grande pânico, em que civis atiraram os seus telemóveis para o chão, temendo que estes fossem também detonados. Na cerimónia fúnebre em Ghobeiry, no sul de Beirute, foi ainda avistado um drone de espionagem israelita a sobrevoar o local.

Foi ainda confirmado que diversas câmaras de vigilância instaladas em vários estabelecimentos comerciais em áreas controladas pelo grupo xiita foram hackeadas por Israel, elevando os receios de exposição de identidade de membros do Hezbollah.

Tanto os pagers como os walkie-talkies foram sabotados pela Mossad há meses atrás antes de serem distribuídos por milhares de membros do Hezbollah com o intuito de serem detonados para enfraquecer as comunicações internas mas igualmente para causar mortes e ferimentos graves. De acordo com especialistas na matéria, este tipo de sabotagem é bastante complicado de detectar, mesmo por grupos experientes como o Hezbollah.

Desde terça-feira, têm decorrido investigações para apurar a origem das explosões, e há suspeitas que os dispositivos tenham sido sabotados a partir de Taiwan, através da companhia Gold Apollo, que distribuiu os equipamentos de comunicação ao Hezbollah. No entanto, a empresa Taiwanesa negou qualquer envolvimento e sugeriu que o fabrico terá sido efectuado a partir de Budapeste, pela companhia Húngara Bac Consulting KFT.

As detonações foram condenadas por oficiais como o Secretário-Geral da ONU, António Guterres e a vice Primeira-Ministra Belga Petra de Sutter, realçando que estas representam ataques terroristas e uma escalada brutal de violência na região.

Esta operação de, para já, duas fases de detonações de dispositivos de comunicação e respectivos danos comunicativos e operacionais contra o grupo xiita por parte das forças Israelitas parece indicar o início da tão esperada e temida ofensiva a grande escala dentro do Líbano para repelir a presença do Hezbollah das áreas fronteiriças com Israel. E apesar do foco mediático se encontrar nos eventos recentes relativamente às explosões de dispositivos, os combates entre Israel e o Hezbollah continuam de forma intensa e mortífera, nomeadamente no sul do Líbano, num conflito que conta com mais de 600 mortos em território Libanês.

Entretanto, o Secretário-Geral do grupo xiita, Sayyed Hassan Nasrallah, anunciou que irá discursar na tarde de quinta-feira, onde é esperado que avance com detalhes sobre os próximos passos para contra-atacar as recentes operações de Israel e tentar encontrar formas de dissuadir o executivo de Benjamin Netanyahu de prosseguir com a escalada na guerra.

O Líbano encontra-se em estado de choque e pânico colectivo, numa fase em que ninguém se sente seguro, especialmente em zonas altamente populadas, com receio de haver mais explosões.

João Sousa, a partir de Beirute

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