A sessão parlamentar desta quinta-feira poderá ser decisiva para a nomeação do próximo Presidente libanês, após um vácuo de mais de 2 anos.
O candidato mais provável a ser nomeado pelos membros parlamentares é o Chefe do Exército Libanês, Joseph Aoun. A nomeação presidencial tem tido vários impasses desde o fim do mandato anterior de Michel Aoun que se aposentou em outubro de 2022. Estes impasses foram causados por discórdias entre vários protagonistas políticos, entre os quais Nabih Berri, Presidente do Parlamento e líder do partido xiita Amal, que por diversas vezes impossibilitou a nomeação do novo Presidente da República ao longo destes anos.
O Hezbollah teve também um papel decisivo em adiar este processo, durante o qual deu apoio a Suleiman Frangieh, líder do Movimento Marada. Contudo, Frangieh anunciou esta quarta-feira que se retiraria da corrida presidencial e que apoiaria Aoun.
Para já, Joseph Aoun terá garantidos pelo menos 76 votos durante a sessão parlamentar. Contudo, Aoun necessita de pelo menos 86 votos para viabilizar a alteração na constituição actual e permitir que um oficial do Exército possa ser eleito sem que se tenham passado 2 anos desde a sua desistência do cargo militar, que Aoun ainda ocupa, desde 2017. Isto significa que o número estimado de votos não será suficiente para garantir a sua nomeação, fazendo com que Aoun esteja ainda dependente de votos adicionais de alguns membros do Hezbollah e do Amal. Apesar destes dois partidos xiitas não considerarem Aoun como um candidato ideal, é improvável que interfiram de forma negativa na sua nomeação.
Independentemente dos resultados de quinta-feira, Aoun tem não só um apoio robusto por parte de diversos partidos políticos, nomeadamente os dois maiores partidos cristãos, Forças Libanesas e Kataeb, mas da própria comunidade internacional que vê a potencial nomeação de Aoun como uma forma de refrescar o panorama político Libanês com um Hezbollah cada vez mais enfraquecido.
Esta oportunidade surgiu precisamente no contexto da guerra devastadora com Israel, da queda do regime de Assad (um aliado do Hezbollah) na Síria e de um descontentamento crescente entre a população Libanesa, que tem responsabilizado o grupo xiita pela destruição do país.
Por outro lado, Aoun, pelas suas ligações ao Exército Libanês, que é em grande parte financiado pelos EUA, acaba por ser o candidato ideal, especialmente numa altura em que o Líbano necessita cada vez mais da influência Norte-americana para conter a expansão de agressões bélicas por parte de Israel.
João Sousa, e-Global
