As Nações Unidas alertaram para o agravamento da violência no Médio Oriente, com o aumento do número de vítimas civis na Faixa de Gaza, no Líbano e na Cisjordânia.
Num apelo dirigido às partes envolvidas no conflito, o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, defendeu o fim imediato das hostilidades, afirmando que “a região e o mundo não podem suportar mais guerras” e insistindo que “os combates devem parar”.
Em Gaza, a ONU denuncia a continuação dos ataques aéreos e dos confrontos armados, bem como as restrições à entrada de ajuda humanitária. Segundo a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA), entre o cessar-fogo de outubro de 2025 e 22 de julho de 2026 morreram 1.180 palestinianos e 3.810 ficaram feridos. A escassez de combustível e de peças de substituição deixou ainda mais de metade da frota da agência fora de serviço, comprometendo o abastecimento de água e a distribuição de assistência às populações deslocadas.
No Líbano, o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) refere que, desde 2 de março, foram registadas 4.329 mortes e 12.233 feridos, incluindo 349 mortos desde o último anúncio de cessar-fogo. Na Cisjordânia ocupada, o mesmo organismo contabiliza 1.122 palestinianos mortos, entre os quais pelo menos 246 crianças, desde o início da guerra entre Israel e o Hamas, em outubro de 2023.
Paralelamente, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estima que mais de 4.000 crianças tenham sido mortas ou feridas nos últimos cinco meses em seis países da região, incluindo cerca de 2.500 no Irão, onde prosseguem os bombardeamentos.
António Guterres alertou ainda para as consequências globais da escalada do conflito, sublinhando que a instabilidade no Estreito de Ormuz e em Bab el-Mandab está a afetar o comércio internacional, a pressionar os preços da energia e dos alimentos e a agravar os riscos de pobreza e insegurança alimentar.
O líder das Nações Unidas apelou ao restabelecimento da liberdade de navegação nestas rotas estratégicas e defendeu que a diplomacia prevaleça sobre a via militar, reiterando também a necessidade de reforçar o apoio internacional à recuperação da Síria após anos de conflito.
