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Médio Oriente: FINUL em risco de perder apoio dos EUA no Líbano

Os Estados Unidos estão seriamente a considerar a possibilidade de deixar de apoiar a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) e de terminar o seu mandato nos próximos meses.

Segundo oficiais da Casa Branca, a renovação do mandato (que sucede anualmente e com revisão prevista para Agosto) poderá não suceder este ano, após queixas e críticas de Israel contra a incapacidade da FINUL de monitorizar as ações do Hezbollah durante o período do cessar-fogo e das alegadas violações do grupo xiita da Resolução 1701, que visa a eliminação de forças armadas não pertences ao Exército nacional no Líbano e a retirada de tropas Israelitas do território.

O Hezbollah, por seu lado, acusa Tel Aviv de diariamente cometer infrações e crimes contra o Líbano; desde o fim da guerra em Novembro passado, Israel já cometeu mais de 3 mil violações, incluindo voos ilegais no espaço aéreo Libanês, bombardeamentos contra residências e espaços comerciais, e assassínios de civis.

Esta frustração estende-se à própria população Libanesa, especialmente no sul, onde foi reportado esta terça-feira um confronto direto entre civis e membros da FINUL. O incidente teve lugar em Hallusiyat al-Tahta, onde um contingente da FINUL realizava uma operação de patrulha na área e bloqueou uma estrada, não permitindo a passagem de um grupo de indivíduos locais, que, insatisfeitos com a situação, apedrejaram os soldados. Os oficiais da FINUL presentes responderam com disparos de gás lacrimogéneo e balas para o ar, sem causar feridos.

Estes confrontos foram imediatamente condenados pelo Primeiro-ministro Libanês Nawaf Salam, que exigiu que os perpetradores fossem detidos. Nawaf salientou ainda que a presença da FINUL no sul do Líbano é fundamental para a manutenção da paz e que qualquer ataque contra a organização representa um risco para a estabilidade nacional.

Esta posição foi reforçada por declarações do ex-Primeiro-Ministro Libanês Najib Mikati, que apelou ao Hezbollah para conter quaisquer ataques à FINUL e minimizar o enfraquecimento da legitimidade internacional do Líbano.

O governo Libanês realçou o seu compromisso incondicional em renovar o mandato da FINUL no Líbano, cuja presença no território teve início em 1978, e que a sua existência é crítica para a manutenção da Resolução 1701 e sustentabilidade da segurança fronteiriça.

João Sousa, a partir do Líbano para a e-Global

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