Na madrugada de Domingo para segunda-feira, o Hezbollah anunciou que havia lançado rockets contra Israel, especificamente numa base militar perto de Haifa, numa ação que não resultou em danos materiais ou feridos. Segundo o Hezbollah, esta operação serviu de vingança pelo assassínio do Líder Supremo iraniano, Ali Khamenei. Esta foi a primeira vez desde o início do cessar-fogo entre o Líbano e Israel que o Hezbollah fez ataques militares contra Israel.
Israel decidiu em resposta, bombardear vários locais residenciais em Beirute, sul do Líbano e Vale do Bekaa, matando mais de 30 pessoas e ferindo mais de 150. Milhares de Libaneses fugiram do sul do país rumo a Beirute, muitos com apenas pertences essenciais, para conseguir escapar às agressões militares israelitas.
Durante o dia de ontem, Israel bombardeou várias localidades por todo o país e intensificou ataques em Beirute, incluindo edifícios que albergam o braço financeiro do Hezbollah, Al-Qard Al-Hasan, para debilitar financeiramente o partido xiita.
Entretanto, foram abertos mais de 170 centros de apoio e refúgio em vários pontos do Líbano para albergar civis. Algumas escolas foram convertidas em centros de abrigo, aproveitando também o facto de que muitas aulas terem sido canceladas face ao conflito. De acordo com as autoridades libanesas, há cerca de vinte e nove mil pessoas internamente deslocadas registadas no sistema governamental.
O governo libanês organizou uma sessão parlamentar de emergência para fazer face à crise, tendo decidido que será considerado ilegal qualquer acção militar por parte do Hezbollah. O grupo xiita contestou a proposta, uma posição reforçada pelo envio de drones e rockets contra Israel na madrugada de segunda para terça.
Já durante o dia de hoje, o exército israelita confirmou que lançou uma invasão militar no sul do Líbano, além das posições que têm ilegalmente ocupado ao longo da fronteira desde o início do cessar-fogo em 2024. De acordo com Tel Aviv, esta manobra não constitui uma invasão mas sim uma medida tática para garantir a segurança do povo israelita.
A invasão terrestre israelita, os bombardeamentos regulares e a intensificação de agressões por parte de Israel contra o sul do Líbano levou o Exército Libanês a tomar a decisão de evacuar do sul do país. O Irão decidiu expandir o seu raio de acção militar com o disparo de mísseis contra o norte de Israel com o intuito de apoiar o Hezbollah a repelir as forças invasoras.
Para já, este conflito entre o Hezbollah e Israel já causou mais de 50 mortos e 150 feridos no Líbano e ameaça uma expansão devastadora das forças Israelitas dentro do território Libanês, que poderá incluir um cerco a Beirute.
João Sousa, correspondente para a e-Global a partir de Beirute
