A situação humanitária na Faixa de Gaza continua a agravar-se, com relatos de crianças a serem mordidas por ratos enquanto dormem nas tendas improvisadas onde milhares de famílias vivem deslocadas. O alerta foi lançado pela Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (UNRWA), que denuncia o aumento de infecções e doenças associadas à ausência de controlo no enclave palestino.
Segundo a ONU, cerca de 2,1 milhões de pessoas permaneceram confinadas a menos de metade do território de Gaza, vivendo em condições de extrema sobrelotação, com acesso limitado a água potável e sistemas de saneamento praticamente colapsados. A presença frequente de ratos, piolhos, pulgas e ácaros pode provocar um aumento significativo de infecções infecciosas, principalmente entre crianças.
Dados do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) indicam que mais de 80% dos cerca de 1.600 abrigos avaliados até meados de abril registaram infestação por roedores ou outras pragas. As crianças representam quase metade da população de Gaza, o que significa que centenas de milhares vivem atualmente expostos a riscos sanitários graves.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a UNRWA alertam ainda para a escassez crítica de medicamentos essenciais, numa altura em que os hospitais enfrentam enorme pressão. De acordo com autoridades de saúde locais, cerca de 44% dos medicamentos considerados essenciais encontram-se esgotados, afetando tratamentos básicos e cuidados específicos, incluindo diálise, oncologia e reabilitação.
As Agências das Nações Unidas apelam à entrada urgente de ajuda humanitária em grande escala, incluindo tendas, inseticidas e medicamentos, alertando que a interrupção das condições sanitárias poderá provocar novas crises de saúde pública numa população já profundamente fragilizada pela guerra e pela deslocação contínua.
