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ONU alerta para escalada no Médio Oriente e defende que diplomacia é a única saída para a crise

(C) Pixabay

O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou esta quinta-feira para o agravamento das tensões no Médio Oriente, afirmando que a região está a aproximar-se “do limite do inimaginável” devido ao aumento dos confrontos militares. Numa intervenção perante o Conselho de Segurança da ONU, Guterres defendeu que não existe uma solução militar para os conflitos e apelou ao fim dos combates, destacando a diplomacia como o único caminho possível para alcançar uma saída duradoura.

Segundo o líder das Nações Unidas, a região está presa num ciclo em que “uma crise alimenta outra”, com novas escaladas a sucederem-se enquanto os objetivos políticos ficam cada vez mais afastados pela lógica do confronto. Guterres pediu o fim dos ataques contra infraestruturas civis e apelou ao restabelecimento da liberdade de navegação nos estreitos de Ormuz e Bab al-Mandab, considerados pontos estratégicos para o comércio e a segurança energética mundial.

Durante a reunião, dedicada ao reforço dos mecanismos diplomáticos para prevenir conflitos, o Secretário-Geral recordou que a Carta das Nações Unidas prevê várias ferramentas para a resolução pacífica de disputas, incluindo negociações, mediação, conciliação, arbitragem e recurso a organizações regionais. Para Guterres, estes instrumentos são especialmente importantes em momentos em que as divergências parecem impossíveis de ultrapassar e os confrontos armados já estão em curso.

O responsável da ONU alertou ainda que os conflitos atuais são cada vez mais numerosos, prolongados e complexos, enquanto aumentam as violações do direito internacional e a impunidade. Sublinhou que, quando as partes escolhem soluções militares em vez de negociações, são os civis quem sofre as consequências mais graves, apontando como exemplos as crises no Médio Oriente, na Ucrânia, no Sudão e no Sahel.

Relativamente à situação em Gaza, António Guterres afirmou que, apesar do cessar-fogo anunciado, a população continua a enfrentar mortes, destruição, doenças e dificuldades no acesso à ajuda humanitária. Um novo relatório sobre segurança alimentar prevê que cerca de 1,4 milhões de pessoas em Gaza, aproximadamente 70% da população, poderão enfrentar níveis elevados de insegurança alimentar nos próximos meses devido às restrições à assistência e à continuação da violência.

O Secretário-Geral apresentou ainda seis áreas prioritárias para reforçar a diplomacia internacional, incluindo o aumento dos esforços de mediação da ONU, o fortalecimento das estruturas regionais de prevenção de conflitos, a realização de missões de investigação independentes e uma maior participação de mulheres, jovens e organizações da sociedade civil nos processos de paz. Guterres apelou aos Estados-membros para manterem abertos os canais de diálogo e procurarem soluções negociadas, mesmo perante profundas divisões geopolíticas.

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