As Nações Unidas alertaram para o agravamento da situação humanitária na Cisjordânia, particularmente na localidade de Qusra, onde três famílias palestinianas permaneciam, a 17 de agosto, cercadas por uma forte presença de forças israelitas e colonos. A ONU apelou à proteção dos civis, das habitações e dos bens, bem como à garantia do acesso aos serviços essenciais.
Equipas humanitárias conseguiram chegar às famílias afetadas e entregar água, alimentos, medicamentos, artigos de higiene e kits para crianças. Segundo o Gabinete da ONU para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA), trabalhadores municipais que tentavam reparar as ligações de água e eletricidade danificadas durante a semana enfrentaram obstáculos, tendo alguns sido atacados por colonos e posteriormente detidos pelas forças israelitas.
A situação também se agravou noutras zonas da Cisjordânia. Durante o fim de semana, várias pessoas ficaram feridas, algumas por disparos de munições reais, em dois incidentes registados no governadorado de Hebron que envolveram forças israelitas, colonos e palestinianos. O coordenador humanitário da ONU, Ramiz Alakbarov, considerou urgente proteger os civis e garantir o acesso às necessidades básicas, alertando que a situação em Qusra não pode tornar-se uma realidade normalizada.
Em Gaza, a ONU mantém igualmente a preocupação com os efeitos dos ataques israelitas sobre a população civil e com a falta de preparação para o inverno. As organizações humanitárias conseguiram adquirir menos de 30 mil tendas, das quais a maioria continua bloqueada fora do território, quando as necessidades são estimadas entre 80 mil e 130 mil unidades. Menos de 40% dos quatro mil milhões de dólares necessários para as operações humanitárias em Gaza e na Cisjordânia em 2026 tinham sido financiados.
No sul do Líbano, a ONU relatou ainda uma intensificação preocupante da violência durante o fim de semana. A FINUL registou cinco ataques aéreos israelitas nas proximidades de Al Mansuri, além de outros ataques e disparos em diferentes áreas. Civis libaneses foram mortos ou feridos e algumas famílias que tinham regressado recentemente às suas casas foram novamente obrigadas a deslocar-se, levando a ONU a apelar a todas as partes para exercerem a máxima contenção e respeitarem o cessar-fogo.
