O Conselho de Segurança das Nações Unidas ouviu este domingo apelos urgentes para evitar uma nova ofensiva israelita na Cidade de Gaza, que poderá agravar a crise humanitária e provocar mais deslocamentos forçados. Dois altos responsáveis da ONU advertiram que não existe solução militar para o conflito Israel-Palestina e insistiram na necessidade de avançar para uma solução de dois Estados, enquanto a fome alastra no enclave.
Miroslav Jenča, Secretário-Geral Adjunto para a Europa, Ásia Central e Américas, alertou que o plano do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, para obter o controlo militar total da Cidade de Gaza e criar uma administração alternativa arrisca desencadear “outra calamidade” na região. O projeto prevê o deslocamento de cerca de 800 mil civis e uma operação militar prolongada, o que, segundo Jenča, aumentaria o sofrimento da população e desestabilizaria ainda mais o Médio Oriente.
Ramesh Rajasingham, responsável máximo de assuntos humanitários da ONU em Genebra, revelou que a fome já é uma realidade em Gaza, com 98 crianças mortas por desnutrição aguda grave — 37 delas desde 1 de julho. Denunciou o colapso das infraestruturas essenciais devido às hostilidades, deslocamentos e à escassez de ajuda, classificando a situação como “fome, pura e simples”. O responsável alertou ainda para o elevado número de vítimas entre trabalhadores humanitários, apelando à sua proteção e ao acesso pleno da ajuda às populações.
Os responsáveis da ONU reforçaram que qualquer solução para Gaza deve incluir a reunificação política e administrativa com a Cisjordânia, sob um governo palestiniano legítimo e representativo. Apelaram a um cessar-fogo total, à libertação imediata de reféns e à aplicação das medidas provisórias do Tribunal Internacional de Justiça, que exigem a Israel ações imediatas para garantir serviços básicos e assistência humanitária urgente.
