A Organização Internacional do Trabalho (OIT) alerta que a desigualdade salarial entre homens e mulheres continua a ser um problema persistente à escala mundial. Segundo um novo estudo divulgado a 16 de Outubro de 2026, a diferença salarial diminuiu apenas dois pontos percentuais desde as estimativas publicadas em 2018, mantendo-se em cerca de 18%. A organização considera que o progresso registado é insuficiente para alcançar a igualdade de género no mercado de trabalho.
A evolução varia consoante o nível de rendimento dos países. Nos países de rendimento elevado, a disparidade salarial diminuiu 2,5 pontos percentuais, enquanto nos países de rendimento médio-baixo a redução foi de dois pontos. Nos países de rendimento médio-alto, a descida foi de apenas um ponto percentual. Em alguns países, não se verificaram melhorias ou registaram-se retrocessos.
Para a OIT, estas diferenças reflectem desigualdades estruturais que continuam a limitar as oportunidades profissionais das mulheres. Entre os principais factores estão a distribuição desigual das responsabilidades familiares e a concentração feminina em actividades e funções menos valorizadas economicamente. Estes obstáculos afectam tanto o acesso ao emprego como as possibilidades de progressão na carreira e de obtenção de melhores salários.
O director-geral da organização, Gilbert Houngbo, considera que os resultados estão longe de permitir alcançar a igualdade de género e promover a justiça social no mundo do trabalho. A especialista sénior em género da OIT, Emanuela Pozzan, defende, por sua vez, a adopção de políticas ajustadas às realidades de cada país para combater as causas da desigualdade salarial.
Para acelerar os progressos, a OIT recomenda medidas como o reforço da transparência salarial, a aplicação efectiva da legislação sobre igualdade de remuneração e o investimento em sistemas de protecção social e de cuidados. As conclusões foram divulgadas no âmbito das iniciativas da Coligação Internacional pela Igualdade Salarial, assinalando a necessidade de transformar os compromissos internacionais em medidas concretas para garantir uma remuneração justa às mulheres.
